Sexo

Aos Jovens

Gozas de uma juventude exuberante e a força do sexo palpita em todo o seu ser,

bem o sei. Natural, pois o corpo não é apenas um instrumento do

Espírito, mas antes é um ser que tem as suas próprias exigências que

não devem de forma alguma serem abafadas, mas também não podem se

transmutar em vícios.

Meu apreço pela Juventude, cuja força que traz no peito ombreia de forma troante

com as forças estagnadas das gerações bastardas, continua o mesmo e por isso faço uma apelo à

moralidade do seu comportamento, oh Jovem!. Não lançai ao lodo essa força criadora que te inquieta.

Não paralisai na mediocridade o brilho espiritual que te enaltece a fronte. Vede o Ideal que te convulsiona a Alma?

É o furor de transcendência que quer arrasar com toda a treva da inércia e da maledicência.

Vá, como um indômito corcel cavalgando nessa extensa selva, lutando para a realização do Belo.

A Cultura de agora é o reinado da opinião (doxa), marcada por uma torrente de sofismas, de verniz de intelectualidade,

a Universidade fabrica a esquizofrenia intelectual em massa. Mas, oh Jovem, não te detém nessa loucura! Desanuvia os teus pensamentos

para aprender a ouvir a voz cristalina da tua consciência, e, após a purgação consciencial, segue pelas diretrizes que ela te apontar,

pois a consciência desvinculada dos sofismas das paixões é o “guardião da probidade interior”.

Tens por arma – a Verdade! Por muralha – a Prece! Vai, oh Jovem, derrame teu Espírito sobre toda a carne.

Com isso, NÃO JULGO que estas nas veredas da inconsciência e da ilusão, declinando o poder da razão e a

capacidade de se conduzir com equilíbrio na vida e na carne. Apenas venho reforçar o pedido de resistência contra as inúmeras influências

negativas que nos envolvem CONSTANTEMENTE e que tem causa tanto nas nossas imperfeições como nas que independem de nós.

A arte só pode manifestar o sublime por meio de uma juventude espiritual sadia, por isso te conclamo, oh Jovem! Embelezai o mundo refletindo

essa Beleza que dormita em vosso coração! Amém.

 Rafael Meneses

 

 

O Sexo no Mundo

Certa noite proclamou
Um dos líderes do Umbral:
“Propaguemos pelo mundo,
Nosso fogo sexual!
Que ele queime mais que a guerra!
Deixe em cinzas a Inglaterra!
O sexo nos dará a Terra!
Avante, ó forças do Mal!”

E um exército espantoso
De Espíritos sensuais,
Invadiu todo o planeta,
Desde o campo às capitais!
E com grandes lutas cruas,
Dominou as praças, ruas!
E hoje andam quase nuas…
Até mães angelicais!

E o sexo, assim instigado,
Fez-se do planeta o rei!
Todo ser é um vassalo,
Que se rende à sua lei!
E o Homem preso à loucura,
No Brasil ou em Singapura,
Hoje ri da compostura,
Mesmo um padre ou mesmo um frei!

E os Espíritos trevosos
Estenderam sua ação:
“Prendamos, agora, os cérebros,
Afeitos à erudição!
O sexo é filosofia,
Quer à noite ou à luz do dia!
Não importa que alguém ria,
— Marcuse, escreva a lição!”

Contaminou-se a Cultura…
Basta olhar a livraria!
Eis na vitrine romances,
Dois não são pornografia…
Em cada livro — heroína,
Parenta de Messalina,
Obras vindas da China,
Da Itália, França ou da Hungria!

Acompanha-me, leitor,
Ao teatro ou ao cinema…
Olha estes grandes cartazes,
Cenas do erótico tema…
E ninguém fica perplexo!
Até a Arte grita: “Sexo!”
Fora dele não há nexo…
Eis do mundo o novo esquema!

Atravessemos a praça.
Eis a rua principal!
Olha as milhares de virgens,
Já envolvidas pelo Umbral!
Em casa, mostram prudência,
Trazem no rosto a inocência,
Mas que grande experiência
Na prática sexual!

Não terão dezoito anos…
Amam todos, e a ninguém;
Podem dar aulas de sexo,
No Oriente, em um harém!
As outras já têm amantes…
Trabalham, são estudantes,
Mas não conhecem Cervantes,
Confundem Bach com Chopin…

A Terra pertence às Trevas!
Está em festas o Umbral!
Ruíram todas barreiras
Na fogueira sexual!
Jovem, velho e até criança,
Na pobreza ou na abastança,
Têm com as Trevas aliança,

E nas costas um punhal!

Espíritas, companheiros,
Cuidado com a obsessão…
Vejo na treva mil olhos,
Mestres na fascinação…
Meditai sempre em Jesus!
Rogai ao Senhor mais luz!
Cuidado com a vossa cruz!
Fazei com os Céus união!

Castro Alves (poesia psicografada)