Metafísica da evolução na filosofia espírita

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A questão da evolução do princípio inteligente antes da individuação

     Nos debates e discussões entre os estudiosos do Espiritismo, ainda é ponto problemático a questão de onde se principia a evolução, do ponto de vista da gênese espiritual. Continuar lendo

O Ser e a Serenidade (1/20)

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Caderno de Estudos de Filosofia Espírita

 O Ser e a Serenidade (1/20)

Ontologia interexistencial no pensamento filosófico de Herculano Pires

 Introdução

 

     IpseidadeÉctipoArctipoÉcstaseArcstaseInterexistencial

 

  1. O que seria das palavras se não houvesse “algo” a se referir? Tudo indica que nem se quer seriam, pois as palavras são apenas a representação oral e gráfica das percepções do pensamento que apreende as “realidades” que se apresentam a ele.

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Parmênides – Os atributos do Ser

Objetivo: Compreender o conceito de “Ser” e relacioná-lo com o ser segundo o ponto de vista da Filosofia Espírita (Deus, espírito, Espírito).

1- Por que, segundo Parmênides, a via dos sentidos não nos permite conhecer o ser?

Porque o sentidos só apreendem a mudança, o constante vir-a-ser do mundo. O que o homem conhece pelos sentidos é a multiplicidade, a mobilidade, a mutabilidade de todas as coisas.

Parmênides percebe que não pode se basear na transitoriedade ou em qualquer aparência para proferir juízos acerca do ser. Isso porque descobre dois princípios fundamentais do pensamento que servem como critério para entender o ser e elaborar o seu conceito: o princípio de identidade e o princípio da não contradição. É a partir dessa descoberta que também se inicia mais propriamente a ontologia – o estudo do ser enquanto ser, o exame da sua realidade a partir das leis do pensamento.

O princípio de identidade diz: o ser é o ser, idêntico a si mesmo, porque aquilo que é, simplesmente é, de modo que a geração e corrupção do ser é ilusão. Assim, Parmênides investiga o ser por meio das exigências elementares do que no futuro se chamará lógica, isto é, das leis do pensamento.

O princípio da não contradição diz: que algo não pode ser e ser também o seu contrário – o ser é o não-ser não é.

E esse conhecimento só pode ser adquirido pela via da razão, apartando-se da ilusão dos sentidos que fazem tomar o ser pelo não-ser. Então, conhecer o ser é ao mesmo tempo desvelar as leis imanentes da razão (logos) e saber conduzir o pensamento sob essa luz para apreender a verdade do ser.

Da proposição “o ser é o não-ser não é”, decorre seus atributos deduzidos de forma rigorosa:

    • aquilo que é não pode vir-a-ser, porque então não seria, e se não é e passasse a ser, viria do nada. Ora, o nada não pode fazer com que algo seja. Portanto não tem começo.

    • E aquilo que é também não pode deixar de ser, porque então passaria a não-ser e o não-ser não é. Portanto, não tem fim.

    • Aquilo que é, mas não tem começo e nem fim, não está no tempo. Portanto, é eterno.

    • Aquilo que não está no tempo também não está no espaço, desse modo não sofre mudança, logo, é imutável, e se é imutável é também imaterial.

2- O que é o ser, ou o Ser, do ponto de vista da Filosofia Espírita?

Na Filosofia Espírita o Ser é Deus, que também comporta os atributos parmenídicos e o da justiça e bondade, respeitando os critérios que a própria razão (logos) impõem no atual estágio de seu desenvolvimento. Portanto, na Filosofia Espírita só podemos conceber Deus, sem cair em contradições ou se aprisionar em ilusões da aparência e dos dogmas, pela via da razão. É por isso que a fé não pode se apartar da razão, pois é somente nela que encontra o entendimento correto do Ser e o coração pode se devotar a uma adoração esclarecida.

Também, na Filosofia Espírita, encontramos o conceito de ser, que é o princípio inteligente do universo, princípio ordenador que anima e organiza toda a matéria do universo, sendo mesmo a essência de todos os fenômenos, pois sem o princípio inteligente nada no campo das formas pode ser ou vir-a-ser. O princípio inteligente individualizado constitui o Espírito, centelha consciente do universo e a essência do ser humano, sem a qual também não seria.

3- Jesus nos ensina os valores espirituais. Por que? Explique racionalmente.

Os ensinos de Jesus conduzem a religião pra uma efetiva espiritualização dos meios de se relacionar com o Absoluto e de harmonizar o homem com as leis universais.

Jesus apresenta o que é essencial e universal na religião, despojando-a das conveniências e interesses mundanos, fazendo valer apenas os valores espirituais. Esses valores se fundamentam na realidade essencial do homem: o Espírito.

Assim, a religião deve oferecer um efetivo espaço de realização da essência humana, pela dignidade dos valores que consagra aos homens.

Ensinar os valores espirituais, então, significa demonstrar o caminho pelo qual o homem manifesta o seu ser divino; que a verdade é a do Espírito e que a vida é fundamentalmente espiritual.

Na perspectiva da investigação de Parmênides, vemos que ele pensa o ser com seus atributos necessários e Jesus, por sua vez, busca orientar os homens para que se ajustem à realidade perene do Ser e deixem de errar indefinidamente no não-ser, na ilusão, na aparência, na matéria, nas conveniências, nos interesses transitórios e mundanos.

Assim, a religião não consiste nas práticas exteriores e sim na vivência dos valores espirituais que se encontram na sublime moral evangélica, valores que estão estritamente ligados a realidade fundamental do homem, a saber, o seu ser espiritual.

4- Podemos de algum modo associar os atributos do ser para Parmênides com os atributos do ser para a Filosofia Espírita?

Os atributos do ser para Parmênides são deduzidos por um exame rigoroso da razão (logos). A Filosofia Espírita concorda com esses atributos, uma vez que a razão levará qualquer um a deduzir esses atributos a partir do princípio de identidade e o princípio da não contradição. Portanto, é uma concepção de Deus universal, sem elementos obscurantistas ou dogmáticos.

Todavia, a Filosofia Espírita não sustenta que esses são os atributos definitivos e únicos do Absoluto, porque a capacidade de conhecimento e abstração estão sempre condicionados pelo grau de evolução do sujeito cognoscente. Desse modo, quanto ao Ser, não podemos dizer algo em definitivo, uma vez que a razão e os meios de conhecimento, ou antes a totalidade do Espírito, estão em constante desenvolvimento.

 Bibliografia

IEEF. Princípios da filosofia espírita. São Paulo: IEEF, 2012.

KARDEC, ALLAN . O livro dos Espíritos. São Paulo: Lake, 2010.

KARDEC, ALLAN. A Gênese. São Paulo: Lake, 1999.

MORENTE, M. G. Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

PIRES, J. HERCULANO. Introdução à filosofia espírita. São Paulo: Paidéia, 2005.