A ética cristã para além do aspecto jurídico

A ética cristã para além do aspecto jurídico em PDF

A ética cristã para além do aspecto jurídico

A proporcionalidade entre injúria e assassinato segundo o ensino ético de Jesus

 

     Na análise moral do ensino de Jesus a abordagem de Kardec revela uma eficácia interpretativa precisamente porque ela se sustenta em três grandes fatores: o referencial transcendente instituído por Jesus; a verdade ontológica da Continuar lendo

O primado da humildade

O primado da humildade em PDF

 

O primado da humildade

 

     A virtude da humildade não impõe a negação da inteligência, como se fosse uma exigência moral que determina a manutenção da ignorância, ou ainda que a ignorância é condição necessária para se acreditar em Deus. Um dos maiores estratagemas do Continuar lendo

Jesus anuncia o Espiritismo

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Jesus anuncia o Espiritismo

 

     De forma bem sintética, podemos dizer que o ensino moral do Cristo apresenta três princípios fundamentais, sobre os quais tudo o mais se desenvolve: Deus, Espírito e o Continuar lendo

O paradoxo da aflição

O paradoxo da aflição em PDF

 

 O paradoxo da aflição

Bem-aventurados os aflitos

 

 

“Sede como o militar, e não aspireis a um repouso que enfraqueceria o vosso corpo e entorpeceria a vossa alma.”  – Lacordaire

Introdução

     Deus existe e, entretanto, o “infortúnio é múltiplo; a infelicidade sobre a Continuar lendo

A reencarnação implícita no imaginário judaico

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Introdução

     No estudo do ensino moral de Jesus que Kardec desenvolve como uma das etapas de sua investigação, ele nos faz perceber a constatação histórica de uma tese simples mas muito importante: a verdade nunca é revelada abruptamente, há sempre os Continuar lendo

Jesus e o referencial transcendente (1/2)

 

     Iniciamos uma nova etapa de exposição das ideias. Daqui em diante pretendemos também fazer uso da fala para o estudo e investigação dos postulados espíritas. Agradecemos a paciência e desde já pedimos desculpas por algumas falhas e erros cometidos no uso livre da fala, embora a meta seja sempre expor as ideias com o rigor que exige a própria natureza do objeto em estudo.

Jesus e Kardec são sempre a nossa inspiração. Forte abraço a todos.

Meu reino não é deste mundo

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Ou da noção de “vida futura” como um efetivo referencial transcendente para a existência humana

Introdução

     A amplitude do pensamento de Jesus ainda está por ser assimilada pela cultura, em todas as suas consequências e, antes, na profundidade de seu significado. Eis uma Continuar lendo

Não vim destruir a lei

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Ou De que o progresso da civilização deve alcançar a absoluta transformação moral da criatura

Introdução

     O Espiritismo trabalha com a noção do mundo espiritual e de sua relação com o mundo corpóreo. Com base nesse postulado básico, inúmeras reflexões acerca dessas relações podem ser feitas e Kardec não as deixou de fazer, dispondo-as dentro de Continuar lendo

Da força do Espiritismo

(Fundamentação V, a partir da quinta secção da conclusão de O Livro dos Espíritos)

A força do Espiritismo consiste precisamente no apelo que ele faz à razão, nos critérios lógicos com os quais ele alicerça uma visão geral do mundo, oferecendo a Continuar lendo

Da união com o Absoluto

Considerações acerca da resposta de Paulo, o Apóstolo, à pergunta 1009 de O Livro dos Espíritos

“Gravitar para a unidade divina, esse é o objetivo da Humanidade.” – Paulo, o Apóstolo.

O supremo objetivo da humanidade é realizar a união com o Absoluto, assim esclarece o inesquecível apóstolo Paulo em sua mensagem. Como seria de fato tal união ainda não podemos compreender integralmente, uma vez que não vivemo-la, apenas sabemos que não é a desintegração da consciência do eu no seio do divino, pois isso equivaleria ao aniquilamento da individualidade e, assim, para nós, seres relativos, é o mesmo que o mergulho no nada, no reino do inconsciente. Ademais, o guia e modelo da humanidade, Jesus Cristo, também demonstra em caracteres concretos os indícios para a compreensão da natureza de tão grandiosa união: ele, Jesus, encarnado na terra já se encontrava unido ao Pai, como assinalou e demonstrou em toda a sua vida missionária e, no entanto, sua individualidade foi conservada, era uma personalidade, acima de tudo era um eu indestrutível que permanecia, mesmo realizado o supremo objetivo a que toda a humanidade se destina: a união com o Absoluto.

Sendo Jesus na terra a representação daquela união a que todos os seres conscientes do universo se destinam, cabe, então, para uma investigação rigorosa, uma monótona e persistente observação de sua significativa passagem pelo mundo, observar quanto ao seu modo de vida, a qualidade de suas relações, os valores que fundamentaram toda a sua vida, a forma como enfrentou o ridículo, o sofrimento, o perigo, o martírio e tudo o mais que estremece o coração mais robustecido. Ora, mesmo num exame superficial, verificamos que Jesus não fora um místico, portador de práticas estranhas, de disciplinas severas ou fundador de algum novo ascetismo. Mesmo assim, conclamou os homens para a união com Deus, e ainda asseverou que ninguém chegaria ao Pai se não fosse por ele. Que caminho, então, ensinou Jesus e continua ensinando para a união com o Pai? Sua vida e sua doutrina demonstram: o caminho moral – que é a vivência dos valores eternos, das virtudes do Espírito, sendo o Amor o resumo, a síntese de todas; com efeito, quem vive o amor pratica todas as virtudes, e assim se inicia na inconcebível, para nós, união com o Pai. 

“Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros. Assim como eu vos tenho amado vós deveis também amar uns aos outros. É pelo fato de vos amardes uns aos outros que todos conhecerão que sois meus discípulos”. – João 13:34, 35

 

Referência: 

Questão 1009 de O Livro dos Espíritos – VII Duração das Penas Futuras.

O menino Jesus no meio dos doutores

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Revista Espírita, junho de 1862

Último quadro do Sr. Ingres.

A senhora Dozon, nossa colega da Sociedade, recebeu em sua casa, em 9 de abril de 1862, a comunicação espontânea seguinte:

“O Menino Jesus encontrado por seus pais pregando no Templo, no meio dos doutores. (São Lucas, Natividade.)

Tal é o assunto de um quadro inspirado a um dos nossos maiores artistas. Nesta obra do homem se mostra mais do que o gênio; ali se vê brilhar essa luz que Deus dá às almas para esclarecê-las e conduzi-las às regiões celestes. Sim, a religião iluminou o artista. Essa claridade é visível? O trabalhador viu o raio partindo do céu e descendo nele? Viu se divinizar, sob seus pincéis, a cabeça do Menino-Deus? Ajoelhou-se diante dessa criação de inspiração divina, e exclamou, como o santo velho Simeão: Senhor, vós deixareis morrer em paz o vosso servidor, segundo a vossa palavra, uma vez que meus olhos viram o Salvador, que nos dais agora, e que destinastes para ser exposto à visão de todos os povos.”

“Sim, o artista pode se dizer servidor do Mestre, porque vem executar uma ordem de sua suprema vontade. Deus quis que, no tempo em que reina o ceticismo, a multidão se detenha diante dessa figura do Salvador! e mais de um coração se afastará levando uma lembrança que o conduzirá ao pé da cruz, onde esse divino Menino deu sua vida para a Humanidade, para vós, multidão negligente.

“Contemplando o quadro de Ingres, a visão se afasta, com pesar, para retornar a essa figura de Jesus, onde há uma mistura de divindade, de infância e também alguma coisa da flor; essas roupagens, essa veste de cores frescas, jovens, delicadas, lembram esses suaves coloridos sobre os caules perfumados. Tudo merece ser admirado na obra-prima de Ingres. Mas a alma ama, sobretudo, nela contemplar os dois tipos adoráveis de Jesus e de sua divina Mãe. Ainda uma vez, sente-se a necessidade de saudá-la pelas angélicas palavras: “Eu vos saúdo, Maria, cheia de graças.” Mal se ousa levar o olhar artístico sobre essa nobre e divinizada figura, tabernáculo de um Deus, esposa de um homem, virgem pela pureza, mulher predestinada às alegrias do paraíso e às agonias da Terra. Ingres compreendeu tudo isto e não se passará diante da Mãe de Jesus sem dizer-lhe: “Maria, muito doce virgem, em nome de vosso filho, orai por nós!” Vós a estudareis um dia; mas eu vi as primeiras pinceladas dadas sobre essa tela bendita. Vi nascer uma a uma as figuras, as poses dos doutores; vi o anjo protetor de Ingres lhe inspirando para fazer cair os pergaminhos das mãos de um desses doutores; porque ali, meu Deus, está toda uma revelação! essa voz de criança destruirá também, uma a uma, as leis que não são suas.

“Não quero fazer aqui da arte como ex-artista; eu sou Espírito, e, para mim, só a arte religiosa me toca. Também vi nesses ornamentos graciosos das cepas de vinha a alegoria da vinha de Deus, onde todos os humanos devem chegar a se consolar, e disse a mim com uma alegria profunda que Ingres vinha de fazer amadurecer um de seus belos cachos. Sim, mestre! teu Jesus vai falar também diante dos doutores que negam sua lei, diante daqueles que a combatem. Mas quando se encontrarem sós com a lembrança do Menino divino, ah! mais de um rasgará seus rolos de pergaminho sobre os quais a mão de Jesus terá escrito: Erro.

“Vede, pois, como todos os trabalhadores se reencontram! uns vindo voluntariamente e por caminhos já conhecidos; outros conduzidos pela mão de Deus, que vai procurá-los sobre os lugares e lhes mostra onde devem ir. Outros ainda chegam, sem saber onde estão, atraídos por um encanto que lhes faz semear também as flores de vida para levantar o altar sobre o qual o menino Jesus vem, ainda hoje, para alguns, sob a roupagem de cor de safira ou sob a túnica do crucificado é sempre um mesmo, o único Deus.

“DAVID, pintor.”

A senhora Dozon nem seu marido haviam ouvido falar desse quadro; tendo nós mesmos dele nos informado junto a vários artistas, nenhum tinha conhecimento, e começamos a crer numa mistificação. O melhor meio de esclarecer essa dúvida era dirigir-se diretamente ao artista, para se informar se tratara esse assunto; foi o que a senhora Dozon fez. Entrando no atelier, viu o quadro, terminado há somente alguns dias e, consequentemente, desconhecido do público. Esta revelação espontânea é tanto mais notável quanto a descrição que dela dá o Espírito é de uma exatidão perfeita. Tudo está ali: cepo de vinha, pergaminhos caídos no chão, etc. Este quadro está ainda exposto na sala do bulevar dos Italianos, onde fomos vê-lo, e ficamos, como todo mundo, admirados diante dessa página sublime, uma das mais belas, sem contradita, da pintura moderna. Do ponto de vista da execução, é digna do grande artista que, o cremos, nada fez de superior, apesar de seus oitenta e três anos; mas o que dela faz uma obra-prima, fora de linha, é o sentimento que a domina, a expressão, o pensamento que faz jorrar, de todas esses rostos sobre os quais lê-se a surpresa, a estupefação, a emoção, a dúvida, a necessidade de negar, a irritação de se ver abater por um menino; tudo isto é tão verdadeiro, tão natural, que se põe a colocar as palavras em cada boca. Quanto ao menino, é de um ideal que deixa longe, atrás dele, tudo o que foi feito sobre o mesmo assunto; não é um orador que fala aos seus ouvintes: não os olha mesmo; adivinha-se nele o órgão de uma voz celeste.

Em toda esta concepção, sem dúvida, há do gênio, mas há, incontestavelmente, da inspiração. O Sr. Ingres, ele mesmo, disse que não havia composto esse quadro nas condições comuns; começou, disse ele, pela arquitetura, o que não é de seus hábitos; em seguida vieram os personagens, por assim dizer, colocarem-se eles mesmos sob seu pincel, sem premeditação de sua parte. Temos motivos para pensar que esse trabalho se prende a coisas das quais ter-se-á a chave mais tarde, mas sobre as quais devemos ainda guardar o silêncio, como sobre muitas outras.

Tendo o fato acima sido narrado na Sociedade, o Espírito de Lamennais, ditou espontaneamente, nessa ocasião, a comunicação seguinte.

Sobre o quadro do Sr. Ingres.

(Sociedade Espírita de Paris, 2 de maio de 1862. – Médium, Sr. A. Didier.)

Falei-vos, recentemente, de Jesus menino no meio dos doutores, e fazia ressaltar sua iluminação divina no meio das sábias trevas dos sacerdotes judeus. Temos um exemplo a mais de que a espiritualidade e os movimentos da alma constituem a fase mais brilhante na arte. Sem conhecer a Sociedade Espírita, pode-se ser um grande artista espiritualista, e Ingres nos mostra, em sua nova obra, o estudo do artista, mas também sua inspiração mais pura e a mais ideal; não esse falso ideal, que engana tanta gente e que é uma hipocrisia da arte sem originalidade, mas o ideal haurido na natureza simples, verdadeira e, consequentemente, bela em toda a acepção da palavra. Nós outros, Espíritos, aplaudimos as obras espiritualistas tanto quanto censuramos a glorificação dos sentimentos materiais e do mau gosto. É uma virtude sentir a beleza moral e a beleza física nesse ponto; é a marca certa de sentimentos harmoniosos no coração e na alma, e quando o sentimento do belo está desenvolvido nesse ponto, é raro que o sentimento moral não o esteja também. É um grande exemplo o desse velho de oitenta anos, que representa, no meio da sociedade corrompida, o triunfo do Espiritualismo, com o gênio sempre jovem e sempre puro da fé.

LAMENNAIS