O primado da humildade

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O primado da humildade

 

     A virtude da humildade não impõe a negação da inteligência, como se fosse uma exigência moral que determina a manutenção da ignorância, ou ainda que a ignorância é condição necessária para se acreditar em Deus. Um dos maiores estratagemas do Continuar lendo

O paradoxo da aflição

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 O paradoxo da aflição

Bem-aventurados os aflitos

 

 

“Sede como o militar, e não aspireis a um repouso que enfraqueceria o vosso corpo e entorpeceria a vossa alma.”  – Lacordaire

Introdução

     Deus existe e, entretanto, o “infortúnio é múltiplo; a infelicidade sobre a Continuar lendo

Jesus e o referencial transcendente (2/2)

 

Embora o referencial transcendente instituído por Jesus é exaltado positivamente e humanisticamente na análise kardequiana, é preciso ressaltar também a desvalorização que a noção de vida futura sofreu na contemporaneidade. Num terceiro momento, buscamos a posição da filosofia espírita em face dessa mesma crítica.

Jesus e o referencial transcendente (1/2)

 

     Iniciamos uma nova etapa de exposição das ideias. Daqui em diante pretendemos também fazer uso da fala para o estudo e investigação dos postulados espíritas. Agradecemos a paciência e desde já pedimos desculpas por algumas falhas e erros cometidos no uso livre da fala, embora a meta seja sempre expor as ideias com o rigor que exige a própria natureza do objeto em estudo.

Jesus e Kardec são sempre a nossa inspiração. Forte abraço a todos.

De que a moral espírita é a moral do Cristo

(Fundamentação VIII, a partir da oitava secção da conclusão de O Livro dos Espíritos)

O Espiritismo implica necessariamente em consequências morias, porque desvela parcialmente e de modo objetivo o mundo extracorpóreo Continuar lendo

Da força do Espiritismo

(Fundamentação V, a partir da quinta secção da conclusão de O Livro dos Espíritos)

A força do Espiritismo consiste precisamente no apelo que ele faz à razão, nos critérios lógicos com os quais ele alicerça uma visão geral do mundo, oferecendo a Continuar lendo

Da união com o Absoluto

Considerações acerca da resposta de Paulo, o Apóstolo, à pergunta 1009 de O Livro dos Espíritos

“Gravitar para a unidade divina, esse é o objetivo da Humanidade.” – Paulo, o Apóstolo.

O supremo objetivo da humanidade é realizar a união com o Absoluto, assim esclarece o inesquecível apóstolo Paulo em sua mensagem. Como seria de fato tal união ainda não podemos compreender integralmente, uma vez que não vivemo-la, apenas sabemos que não é a desintegração da consciência do eu no seio do divino, pois isso equivaleria ao aniquilamento da individualidade e, assim, para nós, seres relativos, é o mesmo que o mergulho no nada, no reino do inconsciente. Ademais, o guia e modelo da humanidade, Jesus Cristo, também demonstra em caracteres concretos os indícios para a compreensão da natureza de tão grandiosa união: ele, Jesus, encarnado na terra já se encontrava unido ao Pai, como assinalou e demonstrou em toda a sua vida missionária e, no entanto, sua individualidade foi conservada, era uma personalidade, acima de tudo era um eu indestrutível que permanecia, mesmo realizado o supremo objetivo a que toda a humanidade se destina: a união com o Absoluto.

Sendo Jesus na terra a representação daquela união a que todos os seres conscientes do universo se destinam, cabe, então, para uma investigação rigorosa, uma monótona e persistente observação de sua significativa passagem pelo mundo, observar quanto ao seu modo de vida, a qualidade de suas relações, os valores que fundamentaram toda a sua vida, a forma como enfrentou o ridículo, o sofrimento, o perigo, o martírio e tudo o mais que estremece o coração mais robustecido. Ora, mesmo num exame superficial, verificamos que Jesus não fora um místico, portador de práticas estranhas, de disciplinas severas ou fundador de algum novo ascetismo. Mesmo assim, conclamou os homens para a união com Deus, e ainda asseverou que ninguém chegaria ao Pai se não fosse por ele. Que caminho, então, ensinou Jesus e continua ensinando para a união com o Pai? Sua vida e sua doutrina demonstram: o caminho moral – que é a vivência dos valores eternos, das virtudes do Espírito, sendo o Amor o resumo, a síntese de todas; com efeito, quem vive o amor pratica todas as virtudes, e assim se inicia na inconcebível, para nós, união com o Pai. 

“Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros. Assim como eu vos tenho amado vós deveis também amar uns aos outros. É pelo fato de vos amardes uns aos outros que todos conhecerão que sois meus discípulos”. – João 13:34, 35

 

Referência: 

Questão 1009 de O Livro dos Espíritos – VII Duração das Penas Futuras.

Felicidade e Cadaverização do Espírito

“Para a vida material, a posse do necessário; para a vida moral, a consciência pura e a fé no futuro.”

(Resposta à pergunta 922 – Penas e Gozos Terrenos -, LE)

Aqui diremos com sinceridade: se a felicidade em nada contribui para melhorar o homem, não nos importamos com ela e a queremos bem distante. Em tudo queremos a cruz do que a risada embasbacada, as lutas de uma vida em que a consciência não é manchada e entorpecida do que o bem-estar paralisante, que embrutece, multiplica caprichos ridículos e, por vezes, é criminoso. Civilização do conforto, do bem-estar enervante, do entretenimento, aparta-te de nós.

Discutir-se-á sobre a possibilidade da felicidade na vida terrena , qual sua verdadeira característica e se o homem está fadado a uma vida penosa.

O tema do gozo terreno é extremamente importante, pois a criatura não foi feita para sofrer. No entanto, para o homem, o sofrimento é praticamente inerente à sua condição, desde quando surge no seio da natureza. A luta que trava é contra a dor e a necessidade, tentando conquistar um relativo bem-estar que rapidamente é perturbado por inúmeras ocorrências ao longo dessa vida. Qual a causa dessa desproporção entre dor, necessidade e fugidio bem-estar? A felicidade que o homem sonha pela imaginação é possível de algum modo? E na terra, onde a dor e a necessidade são inevitavelmente presentes, é possível algum tipo de bem-estar mesmo vivendo a dor e a necessidade? Há algum lugar ou estado de consciência que conquiste a imperturbabilidade, mesmo diante de tremendas dificuldades?

Para toda a problemática da felicidade, que implica necessariamente a realidade existencial do sofrimento, é necessário compreender a relação entre habitat e habitante, ou seja, o papel do orbe terrestre em face da condição evolutiva de seus habitantes.

A característica da vida terrena é, pois, essencialmente de prova e expiação. Como prova, deve apresentar necessariamente dificuldades e obstáculos que o Espírito deve transpor para desenvolver e aprimorar a sua natureza. Como expiação, significa a reparação dos erros cometidos, para harmonizar a consciência com as leis divinas e perceber as dimensões dos erros na própria pele. Então, a característica mesmo dessa vida, é enfrentar obstáculos, dificuldades, privações, pois, em virtude do estado inculto e adormecido das potências da alma, elas precisam ser colocadas em atividade para se desenvolverem e as necessidades várias comprimem o indivíduo a pô-las em ação. Porém, geralmente compreende-se a felicidade como isenção das dificuldades e obstáculos da vida e, portanto, como um estado de inércia onde apenas se goza sem nenhum esforço; não se consegue relacioná-la com o enobrecimento do ser, dos sentimentos e dos pensamentos, através das lutas da vida e, então, no nível psicológico, a experiência do sofrimento se intensifica, porque não consegue se conquistar esse paraíso da inércia e do gozo e nem ao menos conceber uma forma mais elevada de vida feliz.

Todavia, o homem pode abrandar os males que o assaltam, mas isso depende de sue esforço e de seu desenvolvimento para aplicar a inteligência e o sentimento nas superação das dificuldades. Desse modo, a vida terrena é voltada para o trabalho – não a atividade meramente remunerativa, e sim o esforço do Espírito no tempo que visa crescer e se expandir na luz do amor e da verdade – e só esse trabalho, que exige lucidez e compreensão dos valores morais, é a condição para uma relativa felicidade e “abrandamento dos males”. O Espírito não está aqui para invariavelmente sofrer, mas para trabalhar, desenvolver-se, realizar paulatinamente suas potencialidades.

O Espírito é o elemento ordenador da matéria e ele determina a qualidade de sua manifestação. No tocante a vida moral, o Espírito também pode abrandar as exigências da matéria, mobilizando sua vontade e sua razão para a administração refletida dos recursos indispensáveis à sua vida e abrandamento de seus instintos. Na verdade, os esforços para satisfazer essas exigências são os meios para exercitar as potências da alma. Mas, o Espírito, em se encarnando, entorpece sua razão com as satisfações, seduções e alegrias transitórias e, assim, acaba tomando os meios pelos fins: julga a finalidade da vida ser conquistar coisas, acumular riquezas para multiplicar os prazeres e o conforto. A vida encarnada, cujas possibilidades de crescimento espiritual são infinitas, se torna um processo medonho de cadaverização do Espírito, isto é, suas energias e potências são meramente instrumentalizadas e amesquinhadas para cumprir os objetivos de falaciosa aquisição e fruição de coisas materiais. O sentido da organização social é determinado pela mediocridade dos fins estabelecidos, esquecendo-se largamente dos altos destinos do Espírito.

Em verdade, a busca insana por essa felicidade medíocre é o início de um imenso processo doloroso, porque o Espírito aviltado e mediocrizado reclamará seus direitos na voz abafada da consciência, que logo despertará do sono pesado, quando o homem perceber que correu atrás de nada.

Se o gênero de vida material, com todas as suas dificuldades e dores, é determinado pelo nível evolutivos dos seres que encarnam; se a terra oferece tais condições de vida porque estas estão relacionadas com as necessidades de desenvolvimento e capacidades de seus habitantes; então, desenvolvendo e aprimorando o homem, dilatando e enobrecendo as potências de sua alma, a condição de vida de provas e expiações necessariamente também se transmutará qualitativa e moralmente.

A única consolação, pois está baseada na realidade espiritual do homem, é inerente à compreensão de que a vida corpórea é apenas um momento bem restrito da vida do Espírito, que por maiores dissabores que ela provoca, são meios para elevar a condição de Espírito e quanto melhor suportados, melhor estaremos em Espírito. Assim, é necessário elevar o pensamento acima da vida material, possuir uma perspectiva para o infinito, para poder julgar as ocorrências materiais no seu justo valor, sem mais nem menos. Pois o sofrimento aumenta, quando a perspectiva da vida é restrita a efêmera vida biológica e tudo se agiganta e ganha proporções exageradas. Esse tipo de consolação não paralisa a alma numa espécie de espera infértil e ociosa, decadente; pelo contrário, convoca todas as forças adormecidas do ser para o espetáculo da luta enobrecedora da vida, onde todas as criaturas se engrandecem pelos esforços dispensados; faz amar o dever e o trabalho.

A felicidade terrena deve ser relacionada com o duplo aspecto da natureza humana: corpóreo e espiritual. Ter a posse do necessário para o corpo e o Espírito constitui a felicidade relativa da vida terrena. No Espírito, a felicidade é precisamente a conquista da consciência pura e fé no futuro. Quando buscamos intensificar a “felicidade” corporal, necessariamente também tentamos entorpecer a consciência, pois aquilo que pode agradá-la é totalmente de outra natureza. A vida moral só pode conferir bem-estar quando condizentes com as leis divinas que estão inscritas na consciência.

A alegria é como uma potência à ação, porque nos faz querer a vida e toda a sua atividade e relação, enquanto a tristeza nos põem à margem da vida, produz uma força de inércia. A vida moral, bem cuidada e respeitada nos deveres que lhe concerne, levará à alegria moral, que é o fruto de constante integração do ser com o Absoluto, na vivência de suas leis. Jesus sempre fala da alegria como uma bem-aventurança.

Ora, nosso corpo já tem tudo o mais que pode lhe oferecer relativa felicidade. E agora, para vida moral, para a saúde da consciência, Jesus se reapresenta ao mundo pelo Espiritismo.

O caminho é de renovação, de alegria, de felicidade espiritual que não se isola, que não se esquece dos que sofrem, nem se aproveita de ninguém. Devemos aprender a conquistar uma felicidade que aumente o vigor e saúde espirituais, porque a felicidade que exalta o corpo e degrada o Espírito e transforma o próximo em objeto, só traz longa crise de consciência e doença moral, é tão ilusória, pois lança o Espírito em tremendo abismo.

De nada vale ganhar o mundo, todos os seus prazeres, euforias, e perder a alma. Realmente de nada vale em face da glória e da paz de uma consciência tranquila. Jesus não impõe a tristeza, mas convida a conquista de uma felicidade que só dilata as potências do Espírito e multiplica sua saúde e seu vigor. Alegrias enervantes, excitantes, são acompanhadas por tremendo tombo da razão. Necessário se faz depurar a sensibilidade para percebermos as sutilezas das alegrias espirituais, que falam ao coração e a consciência, não aos sentidos.