A misericórdia é a única forma de combater o mal

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A misericórdia é a única forma de combater o mal

 

Introdução

     Jesus empreende uma profunda reflexão acerca da virtude da misericórdia, e para compreendê-la melhor, ele sempre estabelece uma relação com o seu oposto, a condenação, evidentemente no seu aspecto moral, pois a ética cristã está para além da normatividade jurídica.  Continuar lendo

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A ética cristã para além do aspecto jurídico

A ética cristã para além do aspecto jurídico em PDF

A ética cristã para além do aspecto jurídico

A proporcionalidade entre injúria e assassinato segundo o ensino ético de Jesus

 

     Na análise moral do ensino de Jesus a abordagem de Kardec revela uma eficácia interpretativa precisamente porque ela se sustenta em três grandes fatores: o referencial transcendente instituído por Jesus; a verdade ontológica da Continuar lendo

A Virtude da Pureza

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A Virtude da Pureza

ou do acolhimento da luz no íntimo da alma

     A análise de Kardec em torno do evangelho visa explicitar sobretudo como Jesus apresenta um efetivo programa de desenvolvimento espiritual e moral da criatura, em plena concordância com a constatação da imortalidade da Continuar lendo

O primado da humildade

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O primado da humildade

 

     A virtude da humildade não impõe a negação da inteligência, como se fosse uma exigência moral que determina a manutenção da ignorância, ou ainda que a ignorância é condição necessária para se acreditar em Deus. Um dos maiores estratagemas do Continuar lendo

Respostas de Cosme Massi em Vancouver, Canadá

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Respostas de Cosme Massi em Vancouver, Canadá

     Transcrevemos as respostas do professor Cosme Massi feitas ao final de sua palestra que ocorrera no Canadá, em dezembro de 2016. São quatro questões que aprofundam um pouco mais sobre os problemas da Continuar lendo

O paradoxo da aflição

O paradoxo da aflição em PDF

 

 O paradoxo da aflição

Bem-aventurados os aflitos

 

 

“Sede como o militar, e não aspireis a um repouso que enfraqueceria o vosso corpo e entorpeceria a vossa alma.”  – Lacordaire

Introdução

     Deus existe e, entretanto, o “infortúnio é múltiplo; a infelicidade sobre a Continuar lendo

Exercícios Espirituais

Exercícios Espirituais em PDF

Apontamentos de ascética espiritual

     Existir neste corpo de carne, e não apenas viver. E a marca da existência consiste na presença lúcida da consciência. Este é o momento da luta – em meio ao Continuar lendo

Da impossibilidade ética do “bem-estar” segundo uma norma relativa

A eticidade – aquilo que confere valor ético – advém, tem fonte, se origina, promana de qual instância existencial? Sua origem é puramente subjetiva, histórica, circunscrita a peculiaridade de uma infinidade de indivíduos, de mentalidades? Continuar lendo

Doutrinação e População Espiritual

Logo no frontispício de O Livro dos Médiuns verificamos o subtítulo da obra – “Guia dos médiuns e dos doutrinadores” Continuar lendo

Da força do Espiritismo

(Fundamentação V, a partir da quinta secção da conclusão de O Livro dos Espíritos)

A força do Espiritismo consiste precisamente no apelo que ele faz à razão, nos critérios lógicos com os quais ele alicerça uma visão geral do mundo, oferecendo a Continuar lendo

De que o progresso tem seu coroamento na realização moral da humanidade

(Fundamentação IV, a partir da quarta secção da conclusão de O Livro dos Espíritos)

“O dever se engrandece e esplende, sob uma forma sempre mais elevada, em cada uma das etapas superiores da humanidade. A obrigação moral da criatura Continuar lendo

De que a incredulidade também é causa da desordem social

(Fundamentação III, a partir da terceira secção da conclusão de O Livro dos Espíritos)

Já verificamos a impossibilidade do materialismo de se fundamentar na própria Natureza, uma vez que o Espiritismo vem desvelar o fator espiritual inerente Continuar lendo

O Reino de Deus e o Paraíso Perdido

Sendo o “´céu” ou “paraíso” a realização de uma elevada condição moral, segue-se daí que o Reino de Jesus está no coração daqueles que amam o Bem, pois o seu governo entre os homens tão somente determina o cultivo das virtudes, amando a Deus na pessoa do próximo. Por isso disse que seu julgo é suave, sua Continuar lendo

Da união com o Absoluto

Considerações acerca da resposta de Paulo, o Apóstolo, à pergunta 1009 de O Livro dos Espíritos

“Gravitar para a unidade divina, esse é o objetivo da Humanidade.” – Paulo, o Apóstolo.

O supremo objetivo da humanidade é realizar a união com o Absoluto, assim esclarece o inesquecível apóstolo Paulo em sua mensagem. Como seria de fato tal união ainda não podemos compreender integralmente, uma vez que não vivemo-la, apenas sabemos que não é a desintegração da consciência do eu no seio do divino, pois isso equivaleria ao aniquilamento da individualidade e, assim, para nós, seres relativos, é o mesmo que o mergulho no nada, no reino do inconsciente. Ademais, o guia e modelo da humanidade, Jesus Cristo, também demonstra em caracteres concretos os indícios para a compreensão da natureza de tão grandiosa união: ele, Jesus, encarnado na terra já se encontrava unido ao Pai, como assinalou e demonstrou em toda a sua vida missionária e, no entanto, sua individualidade foi conservada, era uma personalidade, acima de tudo era um eu indestrutível que permanecia, mesmo realizado o supremo objetivo a que toda a humanidade se destina: a união com o Absoluto.

Sendo Jesus na terra a representação daquela união a que todos os seres conscientes do universo se destinam, cabe, então, para uma investigação rigorosa, uma monótona e persistente observação de sua significativa passagem pelo mundo, observar quanto ao seu modo de vida, a qualidade de suas relações, os valores que fundamentaram toda a sua vida, a forma como enfrentou o ridículo, o sofrimento, o perigo, o martírio e tudo o mais que estremece o coração mais robustecido. Ora, mesmo num exame superficial, verificamos que Jesus não fora um místico, portador de práticas estranhas, de disciplinas severas ou fundador de algum novo ascetismo. Mesmo assim, conclamou os homens para a união com Deus, e ainda asseverou que ninguém chegaria ao Pai se não fosse por ele. Que caminho, então, ensinou Jesus e continua ensinando para a união com o Pai? Sua vida e sua doutrina demonstram: o caminho moral – que é a vivência dos valores eternos, das virtudes do Espírito, sendo o Amor o resumo, a síntese de todas; com efeito, quem vive o amor pratica todas as virtudes, e assim se inicia na inconcebível, para nós, união com o Pai. 

“Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros. Assim como eu vos tenho amado vós deveis também amar uns aos outros. É pelo fato de vos amardes uns aos outros que todos conhecerão que sois meus discípulos”. – João 13:34, 35

 

Referência: 

Questão 1009 de O Livro dos Espíritos – VII Duração das Penas Futuras.

Do arrependimento estéril

 

“A perda de um dedo, quando se presta um serviço, apaga maior número de faltas do que o cilício suportado durante anos, sem outro objetivo que o bem de si mesmo. O mal não é reparado senão pelo bem, e a reparação não tem mérito algum se não atingir o homem no seu orgulho ou nos interesses materiais.”

 O arrependimento não exclui a necessidade da expiação, ele é o início da compreensão que ilumina o indivíduo para o bem, mas o mal que ele praticou deve ser reparado, de modo que a expiação tem as suas duas faces: em sentir o que se fez sofrer e fazer o bem aquele que se fez o mal. O segundo aspecto é absoluto, pois o bem é lei universal que domina todas as coisas, de maneira que dependendo de como ele é cumprido, o primeiro aspecto pode em muito ser remediado. Nisso vemos o poder da ação humana que renova seu destino, a aparente fatalidade que lhe espera, pela continuidade de seus esforços tanto para o bem como para o mal.

A expiação sobrevém ao indivíduo mesmo que ainda não haja o arrependimento, não há uma ordem necessária, de modo que o sofrimento pode despertar uma reflexão que levará ao arrependimento. Entretanto, é muito importante que o indivíduo se arrependa, pois só assim ele reconhece o mal que o domina e tem meios de combater a causa de sua inferioridade. Assim, a expiação é um processo geral da justiça universal e só ela não basta que o indivíduo se repare, é necessário o movimento interior de conscientização em que o indivíduo se despoje do pensamento do mal que o domina. Portanto, o movimento substancial de mudança consiste no arrependimento sincero, isto é, quando há uma abertura, nos limites mentais, para as perspectivas de realização da bondade e se persegue essa realização, se afastando continuamente do mal. Assim, pode-se sofrer muito, mas nada compreender, permanecendo ressentido e magoado, pronto também para fazer sofrer.

Do que se expôs, há o seguinte desenvolvimento:

    • a) expiar, de forma geral, é sofrer as consequências da má conduta, dos prejuízos causados a outrem, assim, na esfera da ação humana há a legislação da justiça divina que nada deixa impune ou sem reconhecimento – a providência divina não é causa das ações humanas, mas as reconhece sendo boas ou más, pelos efeitos que elas provocam no destino dos homens. Desse modo, a expiação é determinada pela justiça divina, é a sentença que recai sobre um modo de vida que se manifestou prejudicial ao próximo e a sociedade – nenhuma ação humana escapa da ordenação das leis universais, sua causa é livre, mas as suas consequências são presididas pela sabedoria divina.

    • b) o que emerge desse problema é que o sofrimento só alcança resultados consideráveis quando desperta o verdadeiro arrependimento, ou seja, quando o indivíduo não só percebe que está fazendo o mal, mas que não quer mais praticá-lo. E dependendo do seu esforço de mudança, o caráter da expiação pode se transformar radicalmente, pois o sofrimento só está a serviço do melhoramento do Espírito, de modo que se ele consegue se melhorar pelo trabalho que emprega no seu desenvolvimento moral, já não tem a necessidade de passar por rudes sofrimentos. Pois a justiça divina também concorre para o progresso geral das criaturas e em nada se assemelha a mera e superficial ação punitiva, mas antes, pedagógica. Entretanto, a consecução desse desenvolvimento moral do Espírito inferior não significa o caminho mais fácil, e esse empreendimento não se realiza tão somente por calculo egoísta e por barganha, onde o indivíduo tenta tranquilizar sua consciência com práticas superficiais e de verniz de moralidade. O resgate das faltas cometidas só se dá mediante a prática do bem, é na luta moral, na vivência das virtudes cristãs que a reparação se efetiva. Este é o arrependimento fecundo, isto é, que gera a inteira renovação do comportamento, os atos impregnados de valor moral, os frutos da humildade e da bondade. Portanto, as práticas individuais de penitência ou de mera aparência moral caracterizam o arrependimento estéril, que não renova o comportamento e não traz beneficio algum nas relações entre os homens.

Assim, o princípio que sustenta tais afirmações é: o mal só pode ser reparado com o bem, e para que o bem seja vivido é necessário eliminar tudo o que entretém no coração o orgulho e o interesse egoísta, uma vez que são o fundamento do mal. Portanto, quem se arrepende tem por meta preponderante abafar e destruir seus interesses egoístas e seu orgulho, se esforçando por fazer uma verdadeira revolução em seu intimo, fora disso, o arrependimento é estéril, de aparência, não gera os frutos do desenvolvimento moral:

 “De que serve, como justificação, restituir após a morte os bens mal adquiridos, que foram desfrutados em vida e já não lhe servem para nada? De que lhe serve a privação de alguns gozos fúteis e de algumas superficialidades, se o mal que cometeu para outro continua o mesmo? De que lhe serve, enfim, humilhar-se diante de Deus, se conserva o seu orgulho diante dos homens?”

 Nisso tudo há uma radical reprovação das práticas ascéticas e dos empreendimentos salvacionistas de cunho individualista: a obra de “salvação” é obra de educação, ou seja, o esforço do indivíduo em aprender a viver o amor no seio da sociedade em que está inserido. Só isso o livra das consequências funestas do orgulho e do egoísmo, e não a prática estéril de rituais e macerações do corpo. É necessário compreendermos a profundidade deste problema, pois em sua solução repousa o efetivo progresso da Humanidade.

 

Referências:

 Questões 999, 999-a e 1000 de O Livro dos Espíritos – VI Expiação e Arrependimento.

Do arrependimento como expansão do Espírito

 

O verdadeiro arrependimento desperta o desejo de querer melhorar, porque é o efetivo reconhecimento de uma imperfeição que constitui o caráter. Ele também consiste no exercício da razão que se ocupa dos princípios éticos, uma vez que é acompanhado do esclarecimento acerca do bem e do mal: para arrepender-se é necessário um exame racional do comportamento, ponderar e avaliar o valor das escolhas e da conduta, percebendo os valores que as motivaram e, assim, julgar o bem e o mal que expressaram. O arrependimento não é tão somente um ato de contrição, mas expansão do Espírito que compreende os erros que cometeu por meio do exercício de sua razão – é o início de seu esclarecimento, uma vez que compreende a distinção entre o bem e o mal. O arrependimento é a iniciação para o enobrecimento moral do indivíduo, e ele só é legítimo pelo desejo que desperta de querer melhorar.

Desse modo, ao contrário do que se pensa, o arrependimento como uma das virtudes cristãs não é uma espécie de força negativa que diminui a potência de vida do indivíduo, lançando-o num mar de lamentação e de fraqueza. Pela compreensão que traz do bem que não se fez e do mal que se praticou, já arranca o indivíduo do domínio de alguma ilusão, e pelo caminho de melhoramento que indica, convoca as forças do Espírito para a realização moral imprescindível. Fora disso, não há arrependimento, só há pusilanimidade e dormência da razão.

Quando o arrependimento sobrevém depois da morte do corpo físico, ele é uma das causas que impelem o Espírito a escolher uma determinada encarnação recheada de dificuldades e sobressaltos, pois a vontade de querer melhorar-se e aprender a trilhar definitivamente o bom caminho é a chama mais viva que ele acende. Quando envolvidos pelo véu da carne, os homens tem a compreensão que os empolgavam mais ou menos obliterada, dependendo da sua condição evolutiva, de modo que muitas vezes não entendem o porquê de uma existência tão dolorosa. Todavia, se houver o exercício do recolhimento necessário para a saúde da mente, poderão ouvir a voz de sua consciência profunda que desvela, numa intuição viva e legítima, a necessidade de suportar com grandeza moral as tormentas da vida: não abafar e não se afastar da voz inarticulada da consciência profunda é a condição para se evitar a revolta e a pertubação da mente em face do sofrimento.

A questão de não se saber a razão do sofrimento, em virtude do esquecimento das vidas passadas quando em uma nova encarnação, pode ser solucionada quando a vida interior é bem cultivada e o indivíduo permite ser instruído continuamente pela sua consciência profunda, bem como pela inspiração de seu mentor espiritual: o problema é de educação da vida mental. Isso não quer dizer que necessariamente a memória espiritual bloqueada venha à tona, e sim que o indivíduo é cumulado de intuições mais vivias e presentes que fundamentam a certeza de que ele colhe no presente doloroso as lágrimas e a dor que plantou no passado delituoso.

 

Referência:

 Questão 990, 991 e 992 de O Livro dos Espíritos – VI Expiação e Arrependimento.

 

 

 

 

Primícias da Felicidade

“Bem aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.” (Mateus, V:8)

A felicidade se inicia e se intensifica à medida que a influência da inveja, do orgulho e do egoísmo se enfraquecem até o completo desaparecimento. Essas paixões, quando dominam os homens, são as causas do aborrecimento e da infelicidade humana, desencadeando o ódio, a discórdia e todo o cortejo da desgraça. Para superar essas paixões, só a preocupação e o esforço de realização dos valores do Espírito. Então, todas as questiúnculas que tais paixões podem provocar, e que aborrecem em muito a vida, são percebidas em sua verdadeira realidade – de misérias da inferioridade.

Essa é a liberdade e a pureza que Jesus vem ensinar, de estar livre das misérias dos sentimentos inferiores que só perturbam a mente e atrapalham no progresso. Em se distanciando deles, o homem já pode sentir o quanto a vida se torna mais amena, sem o colorido irritante das intrigas e da revolta, do escândalo e do ressentimento.

Dessa forma, podemos cogitar bem palidamente acerca da felicidade dos Espíritos puros, que só se ocupam com o Bem e com o Belo, em nada se afinando com as miseráveis paixões humanas. Essa visão se aviva mais na razão em que o coração se faz portador de mais nobres sentimentos, conquistando paulatinamente a pureza.

Referência:

 Questão 985 de O Livro dos Espíritos – V Penas temporais.

As influências materiais na concepção da ideia de felicidade

“O homem que se crê feliz na terra porque pode satisfazer suas paixões é o que faz menos esforços para se melhorar.”

 

O corpo é também instrumento da dor, das impressões dolorosas que a matéria pode oferecer. Ele sente o abalo de tais impressões, mas o sofrimento do Espírito não é propriamente material, e sim de ordem moral. As impressões materiais, que variam ao infinito, são sempre as mesmas, mas o modo de recebê-las e de por elas ser influenciado depende da condição do Espírito encarnado. Assim, as impressões mais comuns que acompanham a sensação da fome, do sono, da necessidade do coito, e suas respectivas satisfações, são, em princípio geral, as mesmas. Mas dependendo da identificação que o Espírito tem com a matéria, elas podem oferecer uma experiência muito mais viva e dominante sobre ele. Desse modo, um Espírito já mais desenvolvido, em sofrendo quase a total privação de recursos para saciar a sensação da fome que seu corpo transmite, encontra nessa circunstância motivação para aguçar mais ainda a prudência e meditar na melhor estratégia para superar tal dificuldade, ao passo que um Espírito mais materializado sente os momentos de privação como uma experiência demasiadamente penosa, vê nela também a frustração do desejo de fruir as delícias de bons pratos, suas ideias restritas só conseguem conceber o bem-estar oriundo das coisas materiais, de forma que, ver nas dificuldades materiais meios eficazes de desenvolver o Espírito é algo de difícil compreensão, e assim, a sua experiência da fome é muito mais dolorosa e perturbadora do que a do Espírito mais desenvolvido, porque as impressões materiais lhe agradam muito mais do que as delicadas e sutis satisfações do Espírito.

O prazer material está intimamente ligado a satisfação das paixões: as sensações que provocam a fome, o sono, a necessidade do coito, quando satisfeitas, proporcionam uma agradabilidade inconfundível. E nisso vemos a sabedoria da providência na dinâmica da natureza, ou seja, todas as atividades extremamente importantes para a conservação de todo e qualquer organismo, bem como das espécies, estão atreladas ao prazer, proporcionam considerável prazer em sendo satisfeitas; do contrário, se a nutrição, a reprodução e o repouso fossem atividades em si mesmas fatigantes, entediantes, por vezes dolorosas, facilmente os organismos se descuidariam, uma hora ou outra, de praticá-las, custando-lhes a própria vida, uma vez que são indispensáveis para a conservação e porque nada na natureza procura a dor, tenta-se evitá-la o quanto puder.

Portanto, em verificando a imediates do prazer material; que o corpo pode ser explorado em suas zonas prazerosas para proporcionar mais altos níveis de agradabilidade e euforia; então, o indivíduo relaciona a sua ânsia de felicidade, que é muito natural, aos prazeres que descobriu na vida com o corpo, e a eles se vincula desesperadamente.

Em certa medida, é necessário aprender a não se entregar tão facilmente ao que é só agradável, mas que não contribui para o desenvolvimento do Espírito, e até o entrava no demasiado desperdício de tempo. Nossa sociedade aprendeu a explorar as sensações agradáveis e fazê-las permanecer por meio de um tipo de vida muito medíocre.

 

Referência:

 Questão 983 de O Livro dos Espíritos – V Penas temporais

Da continuidade do sentimento de culpa

 

A medida que o Espírito se aperfeiçoa, a consciência integral das várias existências materiais já vividas se torna mais nítida, a ponto de vislumbrar os mais remotos e obscuros atos do pretérito. Essa consciência integral que se aclara não poderia ser fator constante de aflições, uma vez que no início fomos bárbaros e mais claudicantes do que corretos e ponderados?

Os Espíritos Superiores ensinam que não, pois a serenidade que se conquista consiste na harmonização da conduta com os princípios éticos da consciência, por um processo existencial denominado: provas e expiações.

O passado delituoso é resgatado no presente, que exige, pelas dificuldades que apresenta, a harmonização do indivíduo com os princípios éticos da própria consciência. Respeitando as exigências conscienciais, se liberta da ligação afetiva de caráter doloroso com o passado. Os tormentos da consciência não visam o sofrimento pelo sofrimento, mas sim a educação do ser que ora transviou a sua própria lei imanente, de forma que, se redimindo perante a si mesmo, os comportamentos desequilibrados outrora vividos não se apresentam mais como uma pesada carga afetiva, mas como difíceis etapas, já superadas, da evolução.

Ademais, por mais que o Espírito se demore na maldade e perversidade, quando desperto e evoluindo, tem diante de si a eternidade para tão somente praticar a bondade e viver integralmente a vontade de Deus, de modo que um infinito de uma existência vivida na luz e na caridade suplantam em tudo algum limitado tempo persistido na maldade.

De fato, isso não justifica o mal, todavia, como compreendemos, a consciência exige o Bem, e não o tormento incessante por meio de um sentimento de culpa que jamais se desvanece, mesmo em face das mais duras expiações.

Além do mais, o Espírito evoluído, quer dizer, que já se encontra quase completamente isento da influência da matéria, pode conhecer mais precisamente as condições e os pormenores que contribuíram para seus desequilíbrios, verificar que em muitas vezes agiu mais por fraqueza moral do que por efetiva maldade ou perversidade, enfim, pode julgar a si mesmo com mais justiça, pois vislumbra a totalidade das causas que engendraram as circunstâncias do declínio moral.

A responsabilidade dos atos é sempre proporcional ao nível de consciência que se tem; isso, até a justiça humana tenta medir pelos processos de verificação comportamental que são julgados por um critério de normalidade instituído pelas ciências psicológicas e pelo discurso filosófico vigente ou silenciosamente implícito.

 

Referência:

 Questão 978 do Livro dos Espíritos – IV Natureza das penas e gozos futuros.

Da eternidade dos sofrimentos

 

Em virtude da experiência do sofrimento após a morte ser tão singular, a linguagem não encontra pontos de referência autênticos para representar tal realidade, e seus aspectos variando ao infinito, fica difícil especificar o sofrimento dos Espíritos inferiores. Todavia, o que se apresenta como constante na observação das condições dolorosas após o desencarne, é a sensação de eternidade das aflições, das penas que torturam os Espíritos inferiores.

De fato, estar no seio de uma situação dolorosa e não poder nem conjecturar as possibilidades de seu término, vê-la como incessante continuidade na horas que passam – uma cadência de dor a marcar todos os momentos da temporalidade da consciência -, é uma experiência atroz e de abalar os mais endurecidos.

No que toca a esse aspecto do sofrimento após a morte, a intervenção da providência divina nas penas que os Espíritos inferiores devem sofrer se caracteriza numa dilatação da temporalidade da consciência no formato do presente, ou seja, a perspectiva do futuro é como que aniquilada da subjetividade e o presente se agiganta como um limite intransponível em que a consciência se debate em seu momento degradante.

O impulso de transcendência inerente à subjetividade faz com que o indivíduo sempre esteja em relação com o futuro no formato do ideal, do dever ser. Assim, o tempo acolhe o indivíduo para a sua constante renovação e evolução. Poder vislumbrar o futuro no plano do ideal e lutar por determiná-lo segundo os fins da consciência, é ao mesmo tempo alimentar o impulso de transcendência e realizá-lo na contínua transição qualitativa do que é (potência) ao que deve ser (atualização da essência).

Desse modo, quando a perspectiva do futuro é aniquilada da subjetividade, fazendo-a experienciar tão somente um presente que se agiganta no preciso momento de sua degradação moral, é opor uma condição fundamentalmente oposta à dinâmica existencial: o indivíduo não compreende a possibilidade de sua renovação, de sua evolução e superação de sua condição dolorosa, só percebe uma cadência no seu tempo existencial – a frustração de sua própria ascensão.

Eternidade dos sofrimentos é a impossibilidade de toda e qualquer esperança. Nenhuma criatura está ou estará condenada a isso, pois tal sentença negaria a misericórdia e bondade divinas como sendo infinitas. Mas a tal sensação de eternidade dos sofrimentos, quando sentida num tempo limitado, não deixa de transmitir a horrível experiência do “sem fim”.

 

 

Referência:

 Questão 973 do Livro dos Espíritos – IV Natureza das Penas e Gozos Futuros.

 

A virtude como exercício de resistência

No Livro dos Espíritos temos a oportunidade de compreender que as paixões em si mesmas não são um mal e que seu princípio, sendo natural, não pode levar o homem fatalmente a perdição. A paixão propriamente dita está no excesso, portanto, advém da vontade e assim não é irresistível. Kardec, no comentário da questão 908 esclarece mais precisamente o que seja a paixão.

As paixões tem seu princípio, sua determinação, num sentimento ou numa necessidade natural. A paixão é relativa aquilo que sofremos, a uma ação que ocorre em nós cujo agente é exterior e não parte de nós. É como uma afetação primária; em virtude de estarmos em um meio que nos põem em relação, somos afetados incessantemente, sofremos os efeitos de ações que não partem de nós, mas que nos atingem e podem nos determinar outras ações que se concretizam como meras reações. O ser cujo o princípio da ação não parte dele e só age pelo mecanismo de reação se encontra inteiramente passivo, no sentido de que não se autodetermina, não age por si mesmo.

Desse modo, o princípio das paixões não pode ser considerado como um mal em si mesmo, pois repousa “nas condições providenciais de nossa existência”.

Ora, as “condições providenciais” definem completamente o problema, porque indica a naturalidade das paixões ou melhor, do seu princípio, de suas determinações. Deus estabeleceu a vida de relação como fundamento para a manifestação dos seres, portanto, não pode, dessa condição providencial decorrer necessariamente o mal, o arrastamento irresistível e a determinação integral do comportamento por um agente exterior. Por isso os Espíritos e Kardec separam o princípio das paixões, sua determinação, sua causa, que estão na própria vida de relação e nas necessidades naturais, das paixões propriamente ditas, entendidas como exagero das afetações primárias.

Portanto, o que configura especificamente a paixão é o abuso do sentimento ou da necessidade que nos afeta. Sua causa não leva fatalmente ao desequilíbrio, este advém da vontade que corrompe o princípio. A vontade pode ser determinada por um móvel exterior ou pela razão. Quando o primeiro predomina em detrimento dos princípios da razão, da reflexão, da ponderação, então as paixões exercem uma subjugação da vontade e, sendo a causa do móvel da ação tudo menos o sujeito, este também fica privado de sua liberdade ou sofre diminuição, constrangimento do livre-arbítrio. Porque senão há ponderação e reflexão, difícil é reconhecer o que a razão indica e a escolha racional não se efetiva. Assim o pensamento fica tomado pelo objeto da paixão: o glutão só pensa em comer, o sensual em explorar os prazeres que o corpo pode oferecer, o colérico na desforra e etc. Então, superar o domínio das paixões exige como primeiro passo a mobilização da vontade para se impor aos seus ditames, querer realmente e se habituar a prece para disciplinar o pensamento, desprendê-lo das pesadas influências e oferecer condições de atuação dos fluidos salutares e renovadores na estrutura do perispírito – o trabalho é lento e exige esforços continuados, meticulosos, repetitivos, para a completa renovação, pois os desequilíbrios morais possuem a sua face material e fluídica também.

A virtude, sendo uma resistência voluntária ao arrastamento das más tendências, significa que é uma imposição da vontade, uma força que se opõem as influências perniciosas. Senão houver um exercício de resistência, mesmo que se manifeste no início como mínima resistência, mas que pode ir se dilatando na soma das pequenas conquistas, se não houver esse exercício nada há que possa superar as paixões, pois a uma força material só se pode opor uma força espiritual, que visa fins de outra natureza.

Da questão 909 a 912 do Livro dos Espíritos, verificamos os elementos morais para o controle e superação das paixões:

        • Efetiva firmeza de vontade ante o apelo das más tendências. Note que o primeiro passo deve ser aquele que parte do indivíduo, do esforço para sua educação.

        • Imbuído de sinceridade, rogar a Deus e ao anjo da guarda o sustentar nas lutada da educação moral. Esses dois primeiros passos se resumem na máxima “ajuda-te e o céu te ajudará”, trabalha e conseguirás. O esforço próprio aliado ao exercício da prece sincera e humilde são os recursos indispensáveis para a nobre realização do Espírito. Pela prece, recolhe os mais santos estímulos, clareia a mente para traçar as diretrizes, e pela ação construtiva, se realiza no mundo e se emancipa, sem se alienar no petitório indevido.

        • E a vivência da abnegação, porque essa virtude faz com que o homem concentre seus esforços nos valores do Espírito e não se volte demasiadamente aos valores ligados a natureza corpórea.

Assim, temos um desencadeamento lógico-prático para a superação das paixões:

1º A vontade que se impõem como soberana e de fato quer exercer sua natureza, isto é, de autodeterminadora do comportamento humano.

2º O recurso da prece para fortalecer a potência de ação, apaziguar os elementos heterogêneos que exercem influências e atritos, colher os mais belos estímulos para a ação e esclarecimento quanto as diretrizes a serem seguidas.

3º A definição do objetivo central da ação que se autodetermina pela vontade: a abnegação, isto é, negação da predominância dos valores materiais sob os espirituais.

Com isso, não pretendemos reduzir o conceito de virtude ao exercício de resistência, pois os Espíritos também ensinam que aqueles que já conquistaram um desenvolvimento mais profundo de seu ser, exprimem a moralidade de suas ações numa espontaneidade quase completa, em razão de se identificarem mais com o Bem e com os impulsos nobres da alma, não se sentido mais seduzidos de alguma forma pelas inferioridades que ainda nos perturbam e com as quais ainda nos debatemos. Apenas assinalamos alguns aspectos da luta pela virtude em que nossa condição evolutiva nos permite travar. A espontaneidade no Bem é de fato um nível superior de realização espiritual, mas nos encontramos ainda nos primeiros patamares da educação moral e, assim, o exercício de resistência é o que mais nos aproxima da moralidade da ação, habilitando-nos para mais amplas realizações.

Lucidez e Vida Lúcida

 

O problema da lucidez na vida do Espírito encarnado ou não é um problema capital. Porque a lucidez é ao mesmo tempo ampliação dos limites conscienciais na compreensão do dever e do ideal, e determinação constante do comportamento segundo as exigências mais profundas e nobres.

Não pode haver lucidez sem conduta esclarecida, harmoniosa – a compreensão se concretiza na vida prátia. Por outro lado, a lucidez não se reduz a um mero saber – só é completa pela ética que exprime no mundo.

Mais que o simples raciocinar, a ação, que busca sua determinação nas exigências conscienciais, amplia de modo mais efetivo a lucidez. A ação traz em si a possibilidade de entorpecer a consciência ou vitalizá-la, por assim dizer.

Desse modo, o problema da lucidez é um problema essencialmente ético.

De fato, o raciocinar é também um movimento do Espírito, pois exige esforço e mobiliza os recursos intelectuais. Mas a ação que persegue a lucidez, mobiliza todo o Espírito, põem em atividade as suas potências e só assim pode “aparecer” no mundo – pela concretude de seus atos que se determinam pelas exigências da consciência.

O exercício da lucidez permitirá a “suspensão”, isto é, um pairar sobre o mundo, no sentido de possuir uma força espiritual que não sejam as determinações concernentes ao mundo, às potências vitais e aos arrastamentos das paixões.

O Trabalho na Contemporaneidade

 

Esta época é de aviltamento e vulgarização das coisas mais importantes e que conferem dignidade à existência humana.

Assim, o trabalho foi encerrado em uma monotonia perversa, motivado por fins ridículos, e essa é talvez a pior das desgraças sociais.

Sim, a pior e mais horrenda, pois a vida é o processo de desenvolvimento do princípio espiritual que fundamenta todo o real, e a única condição do progresso efetivo dos poderes anímicos é justamente o trabalho.

Todavia, o trabalho se afasta cada vez mais do seu sentido ontológico e se reduz aos valores econômicos. A atividade humana se limita a uma agitação em que as forças se dissipam e a matéria domina. Não há estratagema mais perverso, abismo mais obscuro, do que tornar o trabalho, que é a condição do progresso, em elemento domesticador e alienante do Espírito.

Definitivamente, o trabalho precisa se tornar o espaço de contínua realização da liberdade humana. Não mera atividade desgastante em torno da máquina econômica, e sim constante mobilização dos recursos espirituais e seus infindáveis aperfeiçoamentos.

O trabalho precisa de redenção: libertar-se da frenesi econômica que apenas estiola as mais belas forças da alma. Entendido dessa maneira, ele é essencialmente atividade de educação, de enobrecimento do ser, e não mera loucura por remuneração e… pronto!

A nós outros, que sentimos o profundo descaso que o Espírito sofre nas ocupações humanas, que carregamos no peito aquela angústia da educação frustrada, devemos converter toda a tristeza que irrompe no coração em impulso de serena rebelião aos mais arraigados condicionamentos. Mesmo soterrados na monotonia e rotina sufocantes, temos diante de nós o dever inconfundível de trabalhar pelos Valores do Espírito, mesmo que tudo em nós aponte para outra direção.

O trabalho há de ser respeitado como fonte segura da emancipação do Espírito, mesmo que para isso se exija oceanos de lágrimas, inúmeros dias de cansaço, desânimos vários a nos atormentar, enfim, todas as forças da inércia espiritual.

Ai! Senhor Jesus! Luta, bom combate, a isso nos conduz. – Experiência Paulina.

A clareza severa da razão

“Mas, direis, como julgar a si mesmo? Não se terá a ilusão do amor-próprio, que atenua as faltas e as torna desculpáveis? O avaro se julga simplesmente econômico e previdente, o orgulhoso se considera tão somente cheio de dignidade. Tudo isso é muito certo, mas tendes um meio de controle que não vos pode enganar. Quando estais indecisos quanto ao valor de uma de vossas ações, perguntai como a qualificaríeis se tivesse sido praticada por outra pessoa. Se a censurardes em outros, ela não poderia ser mais legítima para vós, porque Deus não usa de duas medidas para a justiça. Procurai também saber o que pensam os outros e não negligencieis a opinião dos vossos inimigos, porque eles não têm nenhum interesse em disfarçar a verdade e geralmente Deus os colocou ao vosso lado como um espelho, para vos advertirem com mais franqueza do que o faria um amigo. Que aquele que tem a verdadeira vontade de se melhorar explore, portanto, a sua consciência, a fim de arrancar dali as más tendências como arranca as ervas daninhas do seu jardim.”

      Santo Agostinho (resposta à pergunta 919-a de O Livro dos Espíritos)

 Explorar a consciência. O meio de melhoramento individual consiste precisamente nisso. É necessário reconhecermos a qualidade de nossas intenções, o móvel de nossas ações, pois deve-se conhecer a causa de nossa inferioridade moral para, então, trabalhar com eficácia. Esse exercício é uma crítica profunda de nós mesmos, sabendo que muitas vezes nos julgamos relativamente bons e, assim, vítimas de certas circunstâncias, mas que, se nos examinarmos, verificaremos que contribuímos para o estado de coisas desagradáveis. Portanto, é preciso renovar o julgamento que fazemos de nós mesmos, retirar a fantasia e o orgulho e nos percebermos na clareza severa da razão.

Pondo-nos a descoberto, revelando nossas mais ocultas intenções e estratagemas, inicia-se, então, verdadeiro trabalho de drenagem do veneno moral que nos corrompe e determina nossa conduta.

Todavia, esse exercício de conhecer-se pode ser ainda deturpado pelo excessivo amor-próprio. A clareza da razão, que deve se tornar como um espelho a refletir o que somos realmente, é deturpada pelo orgulho e fantasias que não permitem que reconheçamos certas inferioridades de nosso caráter ou efetivos erros com os quais persistimos – a razão se enfraquece diante dos sofismas da paixão. Nesse caso, se não conseguirmos ainda toda a franqueza no exame da razão, ela se manifesta, por vezes, na boca dos inimigos, dos que não se afinam conosco. Com eles não há duas medidas, se esforçam mesmo em expor nossas misérias. Esse é o momento de acolher a crítica pesada, que não fomos capazes de levar as últimas consequências, e verificarmos a sua legitimidade.

É assim que, mesmo deturpando com o véu do orgulho a clareza severa da razão, os meios nos são oferecidos para perscrutar aquilo que nos determina nas relações. Aproximando-se de nós mesmos; lançando luz à interioridade; pondo a descoberto o que está oculto, mas atuante, em nosso coração; retirar a má semente e depositar a boa; só assim há efetiva transformação moral, só assim pode-se gerar bons frutos.

Como Jesus ensina, o reino de Deus é semelhante a um grão de mostarda. A semente do reino é depositada no coração da humanidade. Tal como a terra, que deve agasalhar no seu seio a pequenina semente, o coração tem que estar arejado, renovado, imbuído dos bons sentimentos, que são a seiva do reino, para que a semente germine e prospere. Portanto, de um solo viciado e estéril para as belezas espirituais, o coração deve passar de um solo de boa terra, bafejado pelas claridades do evangelho, cuidado pela oração e vigilância sob o constante inquérito da razão. Então, o reino da justiça nascerá no coração da humanidade. Eis nossa aurora longínqua!