A misericórdia é a única forma de combater o mal

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A misericórdia é a única forma de combater o mal

 

Introdução

     Jesus empreende uma profunda reflexão acerca da virtude da misericórdia, e para compreendê-la melhor, ele sempre estabelece uma relação com o seu oposto, a condenação, evidentemente no seu aspecto moral, pois a ética cristã está para além da normatividade jurídica.  Continuar lendo

A ética cristã para além do aspecto jurídico

A ética cristã para além do aspecto jurídico em PDF

A ética cristã para além do aspecto jurídico

A proporcionalidade entre injúria e assassinato segundo o ensino ético de Jesus

 

     Na análise moral do ensino de Jesus a abordagem de Kardec revela uma eficácia interpretativa precisamente porque ela se sustenta em três grandes fatores: o referencial transcendente instituído por Jesus; a verdade ontológica da Continuar lendo

A Virtude da Pureza

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A Virtude da Pureza

ou do acolhimento da luz no íntimo da alma

     A análise de Kardec em torno do evangelho visa explicitar sobretudo como Jesus apresenta um efetivo programa de desenvolvimento espiritual e moral da criatura, em plena concordância com a constatação da imortalidade da Continuar lendo

O primado da humildade

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O primado da humildade

 

     A virtude da humildade não impõe a negação da inteligência, como se fosse uma exigência moral que determina a manutenção da ignorância, ou ainda que a ignorância é condição necessária para se acreditar em Deus. Um dos maiores estratagemas do Continuar lendo

Jesus anuncia o Espiritismo

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Jesus anuncia o Espiritismo

 

     De forma bem sintética, podemos dizer que o ensino moral do Cristo apresenta três princípios fundamentais, sobre os quais tudo o mais se desenvolve: Deus, Espírito e o Continuar lendo

Respostas de Cosme Massi em Vancouver, Canadá

Respostas de Cosme Massi em PDF

 

Respostas de Cosme Massi em Vancouver, Canadá

     Transcrevemos as respostas do professor Cosme Massi feitas ao final de sua palestra que ocorrera no Canadá, em dezembro de 2016. São quatro questões que aprofundam um pouco mais sobre os problemas da Continuar lendo

Aprender a morrer

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Aprender a morrer

 

     Um dos períodos mais fecundos da filosofia se encontra na antiguidade clássica. Julgamos que é neste momento histórico que ela melhor revela suas potências para a elevação do espírito humano precisamente porque Continuar lendo

Cérebro Espiritual? Órgãos Espirituais?

O conceito de perispírito divulgado na atualidade é de fato coerente com os postulados estabelecidos na pesquisa de Allan Kardec? Buscamos indicar algumas contradições em face de três princípios fundamentais: distinção ontológica entre matéria e espírito; natureza do perispírito e o princípio da não retrogradação da alma. Continuar lendo

Conhecimento espiritual e seu processo histórico

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 Encontramo-nos no item IV da introdução do livro O Evangelho segundo o Espiritismo. Neste importante texto, Kardec nos faz perceber que a noção religiosa do mundo também está inserida no processo histórico, não em alguns momentos, mas em Continuar lendo

Da autonomia da razão na pesquisa da realidade espiritual

 Na segunda metade do século XIX Allan Kardec se ocupou com os fenômenos singulares que as leis conhecidas da ciência de então eram aparentemente insuficientes para explicar. Suspensão e deslocação de corpos sólidos, Continuar lendo

Filosofia viva e racional, sem o espírito de sistema

A posição filosófica de Kardec – Uma lição de
Cassirer – A moral espírita decorre dos ensinos do Cristo.

                                                                                     Por José Herculano Pires

Kardec foi ou não foi um filósofo? O Espiritismo é ou não é uma filosofia, um sistema filosófico? Essas indagações vêm sendo formuladas ultimamente, em alguns meios espíritas, diante da alegação de alguns adversários da doutrina, Continuar lendo

De que o Espiritismo não é obra de um homem

(Fundamentação VI, a partir da sexta secção da conclusão de O Livro dos Espíritos)

“O Espiritismo não é obra de um homem. Ninguém se pode dizer seu autor porque ele é tão antigo quanto a Criação; encontra-se por toda parte, em todas as Religiões…” – Allan Kardec  Continuar lendo

Da impossibilidade de amar a Deus por meio do absurdo

“Consultai o vosso bom senso, a vossa razão e perguntai se uma condenação perpétua, em consequência de alguns momentos de erro, não seria a negação da bondade de Deus. Que é, com efeito, a duração da vida, mesmo que fosse de cem anos, em relação à eternidade? Eternidade! Compreendeis bem essa palavra? Sofrimento, tortura sem fim e sem esperança, apenas por algumas faltas. Não repugna ao vosso próprio critério semelhante pensamento?” – Santo Agostinho

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Em Busca da Filosofia Espírita – Entrevista com Astrid Sayegh

CIÊNCIA, FILOSOFIA E RELIGIÃO SÃO OS TRÊS ASPECTOS QUE FORMAM  ESPIRITISMO. A FILÓSOFA ASTRID SAYEGH EXPLICA O SEGUNDO DELES E  MOSTRA POR QUE ELE É FUNDAMENTAL NA FORMAÇÃO DOS ESPÍRITAS. Continuar lendo

Cultura e Espiritismo II

Artigo publicado originalmente na coluna dominical “Chico Xavier pede licença”
do jornal Diário de S. Paulo, na década de 1970.

 

 

PROBLEMAS DA EDUCAÇÃO

Provocou grande interesse dos leitores a opinião favorável de Emmanuel ao desenvolvimento da educação espírita em seus vários aspectos, segundo os trechos da entrevista de Chico Xavier. Numerosos leitores nos solicitaram o esclarecimento do último trecho, que infelizmente saiu truncado.

Para atender a todos, resolvemos voltar ao assunto, reproduzindo o trecho prejudicado, que é realmente da mais alta importância. Assim, nossos leitores ficarão bem inteirados da posição da espiritualidade superior no tocante aos problemas da educação no meio espírita.
COMO SERES TERRENOS •  Francisco Cândido Xavier

Pergunta: O que acha você, Chico, ou Emmanuel, da organização de cursos, até mesmo de escolas de espiritismo de tipo universitário, para o aprofundamento do vários aspectos de doutrina espírita?

Chico Xavier: É outra modalidade de educação. Se pudermos organizar esses cursos com a respeitabilidade precisa, com o espírito de pontualidade nos compromissos assumidos por aqueles que os iniciam, para que a continuidade seja mantida, se encontrarmos esses apóstolos da continuidade para a manutenção dessas bênçãos, devemos começar com essas empresas o mais depressa possível, para a chamada dinamização da ideia espírita e para a intensificação dos valores culturais da nossa doutrina.

Pergunta: Acho que sem uma preparação dos espíritas para enfrentarem essa tarefa, que nos escapa no momento, não poderemos cumprir o nosso dever de espíritas no futuro. Não é?

Chico Xavier: Diz Emmanuel que atravessamos uma fase como essa a que se refere o nosso amigo, em que precisamos encarar esse assunto com espírito de muito realismo. E para isso devemos esquecer as heranças menos construtivas das religiões tradicionais, que nos alimentaram por muitos séculos, que veneramos muitíssimo, mas que hoje não nos atendem aos impulsos e aos anseios de progresso espiritual. Precisamos considerar, neste caso, o sentido humano da doutrina espírita. Os espíritas não são anjos, nem delinquentes, são criaturas humanas. Os espíritas não estão no céu e também não estão no inferno. Estão na Terra. Somos seres terrenos. Então, como seres terrenos, vamos enfrentar os nossos problemas para resolvê-los – vamos fazer cursos para estudar os assuntos como seres humanos.

A CULTURA ESPÍRITA •  J. Herculano Pires (Irmão Saulo)

Duas coisas ficaram bem claras nesse trecho da entrevista de Chico Xavier: 1) Os cursos de espiritismo são necessários e os cursos de nível universitário devem ser organizados “o mais depressa possível”; 2) A modalidade superior da educação espírita tem por fim a “dinamização da ideia espírita” e a “intensificação dos valores culturais da doutrina”. Essas são afirmações textuais de Emmanuel, como podemos ver acima, feitas através de Chico Xavier.Esses trechos constam da entrevista gravada com o médium, feita em Uberaba, por ocasião do primeiro aniversário do programa No Limiar do Amanhã. No segundo trecho, que começa assim: “Diz Emmanuel”, o entrevistado teve a confirmação do espírito para a sua tese de que estamos na fase histórica de desenvolvimento da cultura espírita no mundo, sendo necessário que nos interessássemos pela criação de escolas espíritas no nível superior, destinadas a dar aos jovens uma formação espírita em sólidas bases culturais.

Ao referir-se ao sentido humano da doutrina espírita, Chico Xavier fez uma digressão para afirmar a necessidades de encararmos os espíritas, e particularmente os médiuns, os divulgadores e os dirigentes espíritas, como criaturas humanas e não como anjos. Voltando a tratar do problema educacional, ele acentuou de novo esse problema, mostrando que somos “seres terrenos” e precisamos de cursos para estudar a doutrina como “seres terrenos”.

Essas acentuações do problema cultural-espírita em termos esclarecem o erro, engano dos que pretendem manter a educação espírita apenas em termos espirituais, como se não estivéssemos encarnados na Terra e não tivéssemos a obrigação de absorver a cultura do mundo juntamente com a cultura espírita, para que esta ilumine e amplie as dimensões daquela.

O espiritismo não pode ser encarado como uma doutrina divina, desligada do contexto cultural terreno. Essa a razão porque “devemos esquecer as heranças menos construtivas das religiões tradicionais”, pois que elas estabeleceram uma divisão prejudicial entre a cultura religiosa e a cultura mundana. O espiritismo não é apenas uma revelação espiritual, como esclareceu Kardec, mas uma dupla revelação, divina e humana, que se entrosa num processo histórico único e representa um momento de síntese da evolução cultural do homem.

Uma escola de espiritismo de nível universitário estabelece a fusão entre o saber humano e o saber que a ciência do espírito nos proporciona através do espiritismo. Por outro lado, essa escola superior, que se constitui de cursos regulares para a formação do “novo homem”, não pode funcionar de maneira aleatória, sujeita à disponibilidade eventual de professores diletantes, mas necessita de um corpo docente organizado em bases profissionais, da mesma forma que um hospital espírita precisa contar com serviços de médicos e enfermeiros profissionais, sob pena de não atingir a sua finalidade. Daí a afirmação de Emmauel de que “precisamos encarar esse assunto com espírito de muito realismo”.

Teoria do Conhecimento III – A Intuição

O homem é finito, mas tem a intuição do Infinito. O princípio espiritual, de que é detentor, incita-o a perscrutar os problemas que excedem os limites atuais de seu entendimento. Seu Espírito, prisioneiro na carne, separa-se dela, às vezes, e eleva-se aos domínios superiores do pensamento, donde lhe vêm essas altas aspirações, as quais muitas vezes são seguidas de recaídas na matéria. (O grande enigma, Léon Denis)

1- O que podemos conhecer? Como podemos conhecer?

O conhecimento está condicionado ao nosso aparato cognitivo. Assim, podemos conhecer tudo aquilo que nossas faculdades permitirem. Quais são essas faculdades? Que objetos elas permitem apreender?

O sensório, a razão e a intuição sintetizam o aparato cognitivo humano. Pelos sentidos captamos as impressões exteriores, puramente materiais. Pela razão elaboramos ideias, conceitos, abstrações em geral, sistematizando na mente os dados captados do exterior e os relacionando em processos intelectuais. Pela intuição acessamos de modo direto a essência das coisas, num instante extremamente enriquecedor, em que todos os aspectos do objeto são percebidos simultaneamente.

Assim, verificamos que há momentos específicos em que uma faculdade atua mais que as outras no processo de conhecimento, mas isso não quer dizer que são separadas, isoladas.

2- Qual a diferença entre raciocínio discursivo e a intuição?

Como há diferentes faculdades que permitem formas de percepção igualmente diferentes dos objetos de conhecimento, deflagramos, então, o método racional discursivo e o método intuitivo como recursos de investigação.

O raciocínio discursivo é o pleno exercício da razão, determinado pelo tempo lógico, que orienta o desencadeamento das ideias e conceitos ao redor do objeto. Nesse método, o conhecimento do objeto se dá de forma mediata, indireta, vagaroso, veiculado pelos conceitos.

O método intuitivo se caracteriza por um único instante enriquecedor que cumula o Espírito do conhecimento da essência do objeto, diferente dos vários atos sucessivos do discurso. A intuição não é um ato racional e nem precedida pelo pensamento; é visão espiritual superior em que o espírito entra em contato direto com o objeto de conhecimento, sem a mediação da representação ou de qualquer abstração.

3- Qual a diferença entre a intuição do senso comum e a intuição do ponto de vista filosófico?

É importante ressaltar: a intuição é um ato espiritual; é uma faculdade que exige exercício, atividade, para que dê os resultados que é capaz, assim como a razão, que, se não for exercitada mal consegue formular ou entender um axioma.

O senso comum reduz a intuição à sensibilidade de perceber o advento de acontecimentos próximos, à inspiração supersticiosa, onde o sujeito apenas sofre influências estranhas e que comumente ele se quer tem controle.

Do ponto de vista filosófico, pelo contrário, a intuição é um ato espiritual em que o espírito se esforça para apreender o objeto sem a mediação do pensamento. A intuição, quando alcança seu êxito, confere resultados bem diferentes do que meros pressentimentos ou inspirações. Possibilita uma certeza inviolável, um enriquecimento do sujeito que conseguiu descobrir algo, embora tenha dificuldades, muitas vezes, de passar o conhecimento intuitivo para o plano do discurso, seja pela deficiência dos conceitos em voga ou pela singularidade do conhecimento intuitivo que não se enquadra nos rígidos esquemas racionais. Desse modo, vemos muitos filósofos invocando a poesia e as artes em geral para tentar comunicar ao mundo o seu instante intuitivo e fecundo.

A intuição, encarada de um ponto de vista filosófico, está estritamente relacionada com os três aspectos do Espírito: intelectual, emotivo e volitivo. Dependendo do conhecimento que a intuição confere ao sujeito, ela se enquadra na intuição intelectual, que concerne aquilo que o objeto é; a intuição emocional, que concerne aquilo que o objeto vale; e a intuição volitiva, que concerne a necessidade que o objeto seja, relativo a vontade, ao dever e a ação no mundo.

4- Qual a atitude do sujeito na intuição intelectual e na intuição emotiva? Qual delas prevalece para a Filosofia Espírita?

Na intuição intelectual, o sujeito determina como meta a apreensão do aspecto inteligível do objeto, sua essência, aquilo que o fundamenta. Assim, as tendências intelectuais do Espírito impulsionam o ato intuitivo, concebendo-lhe uma determinada direção e finalidade. É por esse tipo de intuição, muitas vezes, que grandes pensadores são tomados nos primórdios de seus labores, quando ainda jovens, e acabam se dedicando a vida inteira para comunicar no plano do discurso e do pensamento sistematizado aquilo que já entreviram pelo conhecimento intuitivo, num lapso fulgurante, num instante enriquecedor.

Na intuição emotiva são as tendências da afetividade que determinam o ato intuitivo, donde o sujeito conhece o valor do objeto, num rompante de emoções indescritíveis. O sujeito se põe em relação com o objeto na esfera do sentimento, captando o seu valor na grandeza e qualidade das emoções que ele provoca. É um tipo de intuição absolutamente fecunda, pois toca a alma em suas fibras e impulsiona o pensamento a alturas que o mero raciocínio não alcança, pois a emoção se faz seiva da atividade intelectual.

No inesquecível livro de León Denis – O problema do Ser, do Destino e da Dor – logo percebemos que o filósofo espírita é mestre na arte da intuição emotiva. Por toda parte, em seu livro, ele quebra a cadência lógica da demonstração e dos argumentos em prol da exaltação de um rompante de emoções que borbulham em seu peito. Então vemos o druida da Lorena vibrar bem alto a lira de seu Espírito, num transporte comovente – luzes emergem das páginas!

Também, em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec estabelece como uma das primeiras questões que abrem o livro o tema da intuição emotiva:

Na questão 5, indaga sobre o sentimento intuitivo da existência de Deus presente em todos os homens. E, na seguinte, a questão 6, interroga quanto a origem desse sentimento intuitivo, se não seria fruto da educação e de ideias adquiridas, ao que o Espírito de Verdade responde: “Se fosse assim, porque os vossos selvagens também teriam esse sentimento?”

Desse modo, nas raízes de nossa afetividade está a intuição emotiva primordial da existência de Deus, anterior a qualquer pensamento, educação ou ideias adquiridas. É esse sentimento intuitivo que marca a experiência existencial mais profunda do homem e que gera uma carga emotiva incontrolável, impulsionando todo o processo civilizatório, na ânsia de se realizar na compreensão e relação com o Absoluto.

Bibliografia

DENIS, LEÓN. O problema do Ser, do Destino e da Dor. Rio de Janeiro: FEB, 1947.

____________. O grande enigma. Rio de Janeiro: FEB, 1992.

IEEF. Princípios da filosofia espírita. São Paulo: IEEF, 2012.

KARDEC, ALLAN . O livro dos Espíritos. São Paulo: Lake, 2010.

MORENTE, M. G. Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

PIRES, J. HERCULANO. Introdução à filosofia espírita. São Paulo: Paidéia, 2005.

____________. O Espírito e o Tempo. São Paulo: Edicel, 1979.

Por um movimento espírita esclarecido e progressista

As crianças índigo e o movimento espírita

Como explicar a adesão de lideranças e instituições em uma tese tão absurda

Por Dora Incontri

A entrada livre do movimento índigo dentro do movimento espírita brasileiro revela apenas o que os espíritas conscientes já sabem (e estes infelizmente são em muito pequeno número): nosso movimento anda longe da trilha proposta por Kardec. Entenda-se que não tomamos aqui essa trilha como um conjunto de dogmas fixos, como um sistema fechado de pensamento. O espiritismo – como queria Kardec – deve estar inserido no mundo, na cultura de seu tempo, deve dialogar com outras correntes de pensamento, deve continuar seu caminho de ciência e de pesquisa.

Mas para isto é preciso um método. A principal contribuição de Kardec foi a criação de um método de abordagem da realidade, que inclui a observação científica, a reflexão filosófica e a revelação espiritual. Esses três caminhos convergem na busca da verdade e um elemento controla o outro. Não se pode aceitar cegamente o que vem pela revelação mediúnica – é preciso passá-la pelo crivo da razão e pela análise do método científico. Aliás, somos nós, encarnados, que fazemos a ciência, e não os Espíritos, que vêm apenas nos intuir, nos ajudar, sobretudo no plano moral. Uma ciência que supostamente nos viesse pronta do Além já deveria ser motivo de desconfiança e é própria de Espíritos pseudo-sábios.

No caso de Lee Carrol, Jan Tober e o Espírito de Kryon (que a tradução brasileira mudou para médium Kryon, quando se trata de um Espírito que se afirma extra-terrestre e o Espírito mais próximo de Deus!), defrontamo-nos com uma grande mistificação, com fins comerciais, sem nenhuma racionalidade, sem nenhum critério científico… e os espíritas embarcaram gostosamente na idéia. Por quê?

Alguns certamente o fizeram de boa-fé, outros com claros interesses financeiros, porque se trata de um tema vendável, na linha de auto-ajuda descompromissada, aquela que agrada ao leitor, por trazer receitinhas prontas de como tratar um filho índigo – e muitos podem se iludir no orgulho de ter um filho de aura azul, predestinado a mudar o mundo, um mutante genético!

Os que aceitaram a idéia de boa-fé não são menos desculpáveis, principalmente em se tratando de lideranças, formadoras de opinião, que publicam livros, fazem palestras, porque deveriam ter a responsabilidade ética e intelectual de falar apenas sobre aquilo que pesquisaram em profundidade e manifestarem uma opinião abalizada sobre o assunto. Aos que fazem publicações com fins comerciais, não temos o que dizer. Kardec advertia que contra interesses não há fatos que prevaleçam.

É preciso esclarecer bem o que criticamos na questão de fins comerciais, pois temos também uma editora e podemos ser mal interpretados. É óbvio que o setor editorial espírita precisa ser profissional, movimentar dinheiro, contratar pessoas, trabalhar na base do profissionalismo e não do amadorismo. Isto também vale para uma escola, uma universidade, um empreendimento qualquer que leve o nome de espírita. Ou seja, temos pleno direito ético de vender um livro espírita (porque senão não podemos publicar outros), de cobrar um curso ou um congresso, para cobrir os custos e, inclusive, para reinvestirmos na própria divulgação do espiritismo. O que criticamos, que é próprio da mentalidade capitalista, é quando passamos o lucro na frente do ideal. Ou seja, quando traímos os princípios da doutrina espírita, publicamos qualquer coisa, para ganhar dinheiro, fazemos qualquer negócio, para obter dividendos e buscamos com isso enriquecimento pessoal.

É isso o que o capitalismo preconiza: lucro acima de tudo e princípios éticos totalmente descartáveis e secundários. A qualidade de um produto, as responsabilidades social, ideológica, moral ficam subordinadas ao desejo de venda fácil. As editoras espíritas que trabalham seriamente, com cultura e livros de conteúdo,
sabem o quanto é preciso se sacrificar para manter bem alto o ideal!

A falta do espírito crítico

O outro aspecto comprometedor que afasta o movimento espírita do rumo de Kardec é a ausência de criticidade, debates e exame livre das questões. Quando surgem às vezes alguns críticos, cometem o deslize que discutir pessoas, ao invés de discutir idéias. Mas a grande maioria, acostumada à cultura do “brasileiro cordial”, acrescida pelo estereótipo de “espírita caridoso”, não está habituada a nenhum exercício de crítica construtiva. Considera-se que crítica é falta de caridade.

Ora, Kardec, nos 12 volumes da Revista Espírita, estabelecia um debate eloqüente, ardido e, muitas vezes, usando aquele fino espírito francês de ironia, para colocar-se ante adversários e para esclarecer questões polêmicas. Não que transformasse as páginas da Revista em arena de combate, mas não deixava de exercitar o saudável espírito da análise crítica, inclusive como instrumento de construção do conhecimento espírita.

Todos os grandes pensadores agiram assim. Basta lembrar Sócrates, com sua fina ironia, debatendo com os sofistas; basta rememorar Descartes, com seu método racionalista, desmontando a teologia jesuítica. Toda a história do pensamento humano constitui-se no debate de idéias.

Quando a discussão é implicitamente proibida, cria-se o autoritarismo disfarçado, a idolatria por líderes, que passam a pontificar sem nenhum questionamento, dominando as consciências, e não há progresso e nem liberdade de pensamento.

É isso o que se vê no meio espírita atualmente. Qualquer pessoa pode publicar, falar, pontificar o que for, e ninguém rebate uma vírgula, ninguém faz uma objeção. Por isso, multiplicam-se os absurdos e estamos imersos numa avalanche de frivolidades.

Enquanto não aprendermos a debater sem melindres, a discutir idéias sem paixões pessoais, a criticar construtivamente e a exercitar o livre-exame (que já Lutero propunha há 500 anos), não teremos um movimento espírita esclarecido e progressista, que não engula mistificações tão grosseiras como essa das crianças índigo. Obviamente que só é possível criticar construtivamente a partir de um conhecimento aprofundado das questões. Para isso, é preciso estudar Kardec e procurar sempre ampliar o horizonte cultural.

Sexo

Aos Jovens

Gozas de uma juventude exuberante e a força do sexo palpita em todo o seu ser,

bem o sei. Natural, pois o corpo não é apenas um instrumento do

Espírito, mas antes é um ser que tem as suas próprias exigências que

não devem de forma alguma serem abafadas, mas também não podem se

transmutar em vícios.

Meu apreço pela Juventude, cuja força que traz no peito ombreia de forma troante

com as forças estagnadas das gerações bastardas, continua o mesmo e por isso faço uma apelo à

moralidade do seu comportamento, oh Jovem!. Não lançai ao lodo essa força criadora que te inquieta.

Não paralisai na mediocridade o brilho espiritual que te enaltece a fronte. Vede o Ideal que te convulsiona a Alma?

É o furor de transcendência que quer arrasar com toda a treva da inércia e da maledicência.

Vá, como um indômito corcel cavalgando nessa extensa selva, lutando para a realização do Belo.

A Cultura de agora é o reinado da opinião (doxa), marcada por uma torrente de sofismas, de verniz de intelectualidade,

a Universidade fabrica a esquizofrenia intelectual em massa. Mas, oh Jovem, não te detém nessa loucura! Desanuvia os teus pensamentos

para aprender a ouvir a voz cristalina da tua consciência, e, após a purgação consciencial, segue pelas diretrizes que ela te apontar,

pois a consciência desvinculada dos sofismas das paixões é o “guardião da probidade interior”.

Tens por arma – a Verdade! Por muralha – a Prece! Vai, oh Jovem, derrame teu Espírito sobre toda a carne.

Com isso, NÃO JULGO que estas nas veredas da inconsciência e da ilusão, declinando o poder da razão e a

capacidade de se conduzir com equilíbrio na vida e na carne. Apenas venho reforçar o pedido de resistência contra as inúmeras influências

negativas que nos envolvem CONSTANTEMENTE e que tem causa tanto nas nossas imperfeições como nas que independem de nós.

A arte só pode manifestar o sublime por meio de uma juventude espiritual sadia, por isso te conclamo, oh Jovem! Embelezai o mundo refletindo

essa Beleza que dormita em vosso coração! Amém.

 Rafael Meneses

 

 

O Sexo no Mundo

Certa noite proclamou
Um dos líderes do Umbral:
“Propaguemos pelo mundo,
Nosso fogo sexual!
Que ele queime mais que a guerra!
Deixe em cinzas a Inglaterra!
O sexo nos dará a Terra!
Avante, ó forças do Mal!”

E um exército espantoso
De Espíritos sensuais,
Invadiu todo o planeta,
Desde o campo às capitais!
E com grandes lutas cruas,
Dominou as praças, ruas!
E hoje andam quase nuas…
Até mães angelicais!

E o sexo, assim instigado,
Fez-se do planeta o rei!
Todo ser é um vassalo,
Que se rende à sua lei!
E o Homem preso à loucura,
No Brasil ou em Singapura,
Hoje ri da compostura,
Mesmo um padre ou mesmo um frei!

E os Espíritos trevosos
Estenderam sua ação:
“Prendamos, agora, os cérebros,
Afeitos à erudição!
O sexo é filosofia,
Quer à noite ou à luz do dia!
Não importa que alguém ria,
— Marcuse, escreva a lição!”

Contaminou-se a Cultura…
Basta olhar a livraria!
Eis na vitrine romances,
Dois não são pornografia…
Em cada livro — heroína,
Parenta de Messalina,
Obras vindas da China,
Da Itália, França ou da Hungria!

Acompanha-me, leitor,
Ao teatro ou ao cinema…
Olha estes grandes cartazes,
Cenas do erótico tema…
E ninguém fica perplexo!
Até a Arte grita: “Sexo!”
Fora dele não há nexo…
Eis do mundo o novo esquema!

Atravessemos a praça.
Eis a rua principal!
Olha as milhares de virgens,
Já envolvidas pelo Umbral!
Em casa, mostram prudência,
Trazem no rosto a inocência,
Mas que grande experiência
Na prática sexual!

Não terão dezoito anos…
Amam todos, e a ninguém;
Podem dar aulas de sexo,
No Oriente, em um harém!
As outras já têm amantes…
Trabalham, são estudantes,
Mas não conhecem Cervantes,
Confundem Bach com Chopin…

A Terra pertence às Trevas!
Está em festas o Umbral!
Ruíram todas barreiras
Na fogueira sexual!
Jovem, velho e até criança,
Na pobreza ou na abastança,
Têm com as Trevas aliança,

E nas costas um punhal!

Espíritas, companheiros,
Cuidado com a obsessão…
Vejo na treva mil olhos,
Mestres na fascinação…
Meditai sempre em Jesus!
Rogai ao Senhor mais luz!
Cuidado com a vossa cruz!
Fazei com os Céus união!

Castro Alves (poesia psicografada)