Conhecimento espiritual e seu processo histórico

Conhecimento espiritual e seu processo histórico em PDF

 Encontramo-nos no item IV da introdução do livro O Evangelho segundo o Espiritismo. Neste importante texto, Kardec nos faz perceber que a noção religiosa do mundo também está inserida no processo histórico, não em alguns momentos, mas em Continuar lendo

Cultura e Espiritismo

798- O Espiritismo se tornará uma crença comum ou será apenas a de algumas pessoas?

  • Certamente ele se tornará uma crença comum e marcará uma nova era da História da Humanidade, porque pertence à Natureza e chegou o tempo em que deve tomar lugar entre os conhecimentos humanos. Haverá, entretanto, grandes lutas a sustentar, mais contra os interesses do que contra as convicções, porque não se pode dissimular que há pessoas interessadas em combatê-lo, umas por amor próprio e outras por motivos puramente materiais. Mas os seus contraditores, ficando cada vez mais isolados, serão afinal forçados a pensar como todos os outros, sob pena de se tornarem ridículos.

(O Livro dos Espíritos – Cap. VIII Lei do Progresso; item VI Influência do Espiritismo no Progresso)

Não é uma pretensão absurda e exclusivista dizer que o Espiritismo se tornará uma crença comum, pois esta afirmação decorre do fato de que o Espiritismo não é doutrina inventada, imaginada, e sim, apenas deduzida de fenômenos que ocorrem em a Natureza. Nisso está a essência de sua diferença e de sua irrefutabilidade.

Desse modo, inevitavelmente fará parte dos conhecimentos humanos, tal como a descoberta do mundo infinitamente pequeno e invisível dos micróbios, vírus, bactérias e etc., que hoje a aceitação é generalizada e outrora era motivo de ridicularização.

Por isso é impossível impedir o progresso dos conhecimentos humanos no tocante ao aspecto espiritual da realidade, uma vez que o elemento espiritual constitui a própria Natureza. Ainda mais quando a inteligência continuamente se aprimora, mesmo sob pressupostos materialistas, pois então, goza de condições racionais para a compreensão do aspecto espiritual do real.

Allan Kardec esboça a dinâmica inerente no progresso das ideias:

  • Os ensinos de Jesus de Nazaré aparecem no mundo como quadro conceptual inteiramente novo e diferente diante do paganismo. São recebidos pela mentalidade judaica – único povo da época apto a germinar ideias que em essência estão sob base monoteísta e assinalam para uma espiritualização da própria religião.

  • Todavia, quase toda a potência dos ensinos de Jesus são velados pelo formalismo judaico e pelas extravagâncias pagãs. Essas duas mentalidades se fundem num processo histórico, originando a religião sincrética que é denominada Cristianismo. Porém, as bases vigorosas que Jesus lançou, ali estão e uma lenta depuração das ideias e de ambas mentalidades se inicia desde o advento do Divino Mestre.

  • Nesse longo processo histórico-conceptual surge o Espiritismo para arrematar e desenvolver em sua plenitude a Aurora Cristã sobre a mentalidade humana. Assim, vemos o Espiritismo como força divina de realização e atualização das potências latentes dos ensinos de Jesus; como o momento de acabamento da obra de edificação de novas ideias mais condizentes com a realidade universal e com a essência divina. Por isso dizer: o Espiritismo é o Cristianismo redivivo, ou seja, puro, sem máculas, sem sincretismo, livre dos acanhamentos judaicos e pagãos, é a apresentação de Jesus sem os condicionamentos mentais e histórico-sociais – a Verdade, trazida pelo Espírito de Verdade, guardião da nova era. Esse “momento” é de fato um longo processo em que as ideias acanhadas do passado digladiam com o renovado corpo conceptual que é o Espiritismo, cuja a invulnerabilidade descansa na essência do Real.

Assim, Kardec nos ajuda a perceber a extrema importância do Espiritismo na cultura e na elevação da mesma.