Há muitas moradas na casa de meu Pai

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Ou a transcendência realizada no Cosmos 

Introdução

     Quando nos ocupamos rapidamente com o processo histórico do conhecimento científico, os manuais que tratam de tal temática insistem invariavelmente numa importante revolução científica, isto é, a denominada revolução copernicana. Com efeito Continuar lendo

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Anaxágoras e Demócrito – A teoria do átomo

Objetivo: Aproximar o conceito de homeomerias com o conceito de Fluido Cósmico, assim como perceber o início da concepção de uma Inteligência ordenadora da natureza; compreender o conceito filosófico de átomo, a origem e o devir das formas materiais, assim como a concepção de percepção sensorial para Demócrito.

1- Como explicar, à luz do pensamento de Anaxágoras, a afirmação de que tudo está em tudo, consoante a pergunta 33 de O Livro dos Espíritos?

Parmênides, ao sustentar a imutabilidade, unidade e eternidade do ser e Heráclito, por outro lado, ao demonstrar o vir-a-ser do mundo, a impermanência e o movimento como a realidade de todas as coisas, faz com que os filósofos tentem conciliar essas duas posições muito bem fundamentadas.

Assim, Anaxágoras afirma que as coisas não nascem, são apenas combinações de corpúsculos elementares, que unidos dão a aparência de existência a coisas consistentes e em si mesmas; e do mesmo modo, as coisas não acabam, não deixam de ser, porque o que ocorre é apenas a desagregação dos corpúsculos elementares. Esses corpúsculos são denominados de homeomerias – partes semelhantes – que se diferenciam por qualidades elementares.

É desse modo que todas as coisas participam da constituição de todas as outras, porque tudo é feito das homeomerias – de corpúsculos elementares, que se combinando possibilitam o advento das propriedades secundárias e, portanto, a diversidade das substâncias. Tudo está em tudo, porque o fundo de tudo é homogêneo e se fundamenta numa única realidade: as homeomerias.

Em convergência com a Doutrina Espírita, no tocante ao estado da matéria, encontra-se também a formulação do conceito de fluido cósmico universal, que vem de encontro as homeomerias de Anaxágoras. O fluido cósmico é a matéria elementar do universo e a partir do qual todas as coisas são feitas por um processo de modificação do fluido, que passa a ter novas propriedades secundárias.

Assim, a substância nociva, salutar, vaporosa, sólida, seja qual for o estado que se manifeste, é apenas modificação de uma única matéria elementar.

2- Qual a importância do conceito de Nous (võus) de Anaxágoras para a história do pensamento?

Anaxágoras é um dos pré-socráticos que começa a esboçar os primeiros princípios de uma teologia racional, porque o Nous se caracteriza em sua filosofia como uma inteligência suprema que preside todos os fenômenos do Cosmos.

O Cosmos, na verdade, é a própria manifestação da ordem ou do impulso ordenador do Nous, isso porque as homeomerias não se ordenam por si mesmas. Assim há uma distinção entre a matéria elementar de todas as coisas e a causa do movimento ordenado dessa matéria.

Vemos que os pré-socráticos não ficam apenas encerrados na questão “qual é o princípio (arché) das coisas?”, mas também especulam sobre a causa do movimento ordenado. Essa questão tomará proporções imensas e será o núcleo da metafísica a partir de Platão e Aristóteles.

3- Como se originam as formas da natureza, segundo Demócrito? Isso de dá por acaso?

Se em Anaxágoras vemos a indicação de uma força ordenadora sob a matéria elementar, em Demócrito se configura uma outra ordem de ideias. Nele podemos entrever as raízes do materialismo e do mecanicismo.

Os átomos são partículas elementares e indivisíveis que constituem todo o real, entre eles há o vazio e por isso a possibilidade de movimento. Entretanto, esse movimento se dá na relação entre os átomos no vazio de forma mecânica e necessária, sem a ação de uma força estranha aos próprios átomos.

Desse modo, as formas do real se originam do movimento mecânico e necessário dos átomos, onde nem o acaso nem uma inteligência ordenadora precisam atuar para a manifestação da natureza.

Com Demócrito podemos dizer que com o conhecimento da matéria elementar e seu movimento, compreendemos todos os eventos da natureza, que com a matéria se explica tudo, que não há razões para se especular fora do âmbito da matéria.

4- Poder-se-ia deduzir alguma relação entre os átomos de fogo de Demócrito e o perispírito? Explique.

Como todas as coisas são constituídas por partículas indivisíveis – os átomos -, Demócrito também concebia que a alma do homem era formada por átomos. Esses átomos da alma são de natureza mais sutil, denominados átomos de fogo, sendo, pois, a alma humana dotada da mesma sutileza.

No Espiritismo a alma não é algo abstrato, um ente de razão, mas tem uma realidade concreta, ocupa um lugar no espaço, em virtude da matéria sutilíssima que a envolve e forma o perispírito.

O perispírito é o órgão sensitivo da alma (Espírito encarnado), cuja constituição deriva do fluido cósmico, mas muito mais rarefeito em relação ao corpo físico, extremamente denso. A natureza dos átomos de fogo de Demócrito se assemelham com a natureza do perispírito, que tende a se purificar e se tornar cada vez mais sutil e rarefeito, na medida da elevação do Espírito.

Em virtude do Espírito estar envolto de matéria sutilíssima, não decorre daí que seja passível de corrupção, como a matéria, porque a parte essencial do seu ser está toda no Espírito, que é imortal. O perispírito, por ainda ser matéria, também sofre inúmeras transformações, todavia, o ser continua idêntico a si mesmo.

Dizemos isso porque Epicuro, ao adotar a física atomista, sustenta que não devemos temer a morte, uma vez que nossa alma também é feita de átomos e que a morte significa, então, apenas a dispersão dos átomos, decorrendo disso a dissolução da personalidade no torvelinho do desarranjo atômico.

Contudo, o Espírito é a unidade ontológica, indivisível e incorruptível e essencialmente espiritual e não material. Apenas o perispírito e o corpo físico são passíveis de transformações. O Espírito não está no espaço, nem no tempo, não pode vir-a-ser nem deixar de ser. Apenas é.

Bibliografia

IEEF. Princípios da filosofia espírita. São Paulo: IEEF, 2012.

KARDEC, ALLAN . O livro dos Espíritos. São Paulo: Lake, 2010.

KARDEC, ALLAN. A Gênese. São Paulo: Lake, 1999.

MORENTE, M. G. Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

PIRES, J. HERCULANO. Introdução à filosofia espírita. São Paulo: Paidéia, 2005.

Pitágoras e a Transmigração da Alma

Objetivo: relacionar o princípio de todas as coisas segundo Pitágoras e segundo a Filosofia Espírita, assim como ressaltar o surgimento da ideia de reencarnação.

1- Pitágoras afirma que o número é a estrutura de todas as coisas. Explique com suas palavras.

Pitágoras também segue a mesma investigação dos fisiológois, isto é, quer conhecer o princípio de todas as coisas, a realidade substancial que determina todas as manifestações do universo.

Em relação com a escola jônica, se diferencia de modo considerável, no sentido de que aborda a arché e a physis numa perspectiva fundamentalmente metafísica, para além dos elementos materiais indicados como princípios.

Desse modo indica o número como realidade fundamental e essencial de todas as manifestações em a natureza.

Assim, tudo está determinado por relações de proporção, de medida, de quantidade, seja no tempo ou no espaço, de tal modo, que sem essa determinação numérica nada seria. Tudo é determinado pelos números: a espessura dos corpos, a diversidade dos sons produzidos por uma corda com um certo cumprimento, a manifestação dos seres é determinada por um certo número de horas que equivale a dias, meses, anos; enfim, em tudo há determinação numérica que subjaz a multiplicidade das manifestações.

Intrigante é o poder de elaboração conceptual profunda a partir da observação das ocorrências mais comezinhas do quotidiano.

2- Conhecer é encontrar a unidade e derivação das coisas. Comente.

É importante ressaltar que com Pitágoras a realidade fundamental da natureza se diferencia do mundo físico, dando ensejo a uma ética que desenvolva aquilo que é inteligível, racional, espiritual no homem, uma vez que o filósofo grego busca superar a aparência, a ilusão, conquistando a harmonia entre seu intelecto e seu ser com a realidade fundamental das coisas. Assim, o conhecimento verdadeiro faz parte da purificação humana ou integração consciente com a realidade universal.

Apreender a unidade no múltiplo é identificar a causa comum das manifestações e, a parti daí, descortinar todo o processo de derivação.

3- Relacione a concepção do número Um e do Dois de Pitágoras com a Filosofia Espírita.

O número Um é a unidade primordial que reune em si o limitado-ilimitado a partir do qual o real se constitui. O Dois é a dualidade, o princípio de mudança na relação dos contrários.

Na Filosofia Espírita Deus é entendido como a unidade primordial, a causa primária, anterior a todas as coisas e a partir da qual tudo é, bem como o princípio de dualidade, que é entendido como espírito e matéria.

Dessa forma, da unidade primordial imutável e identica a si mesmo que é Deus, deriva o espírito e a matéria, que num processo de interação constituem todas as coisas visíveis e invisíveis do universo.

4- Pesquise na codificação espírita o papel de Pitágoras na teoria da pluralidade das existências.

No Livro dos Espíritos, capítulo XI – os três reinos – e mais precisamente no item III – metempsicose – o problema da transmigração da alma é tratado sob vários aspectos. O problema é apresentado na seguinte análise:

    • Se aquilo que anima os seres tem uma fonte comum, que é o princípio inteligente, então a transmigração da alma se dá tanto do homem para o animal como do animal para o homem.

    • Todavia, na pergunta 592 o Espírito de Verdade esclarece a precisa diferença entre o animal e o homem, e afirma que, antes de mais nada, “reconhecei o homem pelo pensamento de Deus.” Evidenciando, novamente, que o homem é aquele ser que tem a intuição emotiva primordial da existência de Deus.

    • Assim, se o homem traz em si a ideia de Deus e ao mesmo tempo a fonte do seu princípio anímico é comum ao do animal, então há de se considerar uma modificação extremamente importante nesse princípio anímico que faz com que ele seja precisamente homem, isto é, animado por um princípio anímico qualitativamente diferente do animal, de tal modo que a alma de um não pode animar o outro, por incompatibilidade ontológica.

    • Na pergunta 611 o Espírito de Verdade continua esclarecendo o tema: “(…) no momento em que o princípio inteligente atinge o grau necessário para ser Espírito (ou seja, subjetividade, consciência de si mesmo) e entrar no período de Humanidade, não tem mais relação com seu estado primitivo e não é mais a alma dos animais, como a árvore não é mais a semente. (…) Não se pode dizer, portanto, que tal homem é a encarnação do espírito de tal animal e, por conseguinte, a metempsicose, tal como a entendem, não é exata.”

    • No comentário da pergunta 613, Allan Kardec desenvolve a questão dizendo que é impossível a transmigração direta da alma do animal para o homem e que só é possível aceitar a transmigração se se entender a progressão da alma inferior para a superior, na medida em que, no desenvolvimento, sofresse inúmeras transformações em sua natureza.

5- Segundo A Gênese de Kardec, o brasão do universo tem apenas uma divisa: unidade e variedade. Explique.

Na totalidade dos fenômenos há uma unidade, isto é, uma fonte comum, donde tudo promana e para onde todas as formas retornam, na finitude de suas manifestações.

A variedade é modificação da unidade primordial, pelo fenômeno de condensação impulsionado pela ação do princípio inteligente.

A interação que promove a variedade, faz também surgir o tempo, que é a medida da duração da manifestação no seio da eternidade.

Assim, da unidade primordial da matéria impregnada pela unidade do espírito, onde ambos são na causa primária, derivam o espaço, tempo e a multiplicidade das formas.

Bibliografia

IEEF. Princípios da filosofia espírita. São Paulo: IEEF, 2012.

KARDEC, ALLAN . O livro dos Espíritos. São Paulo: Lake, 2010.

KARDEC, ALLAN. A Gênese. São Paulo: Lake, 1999.

MORENTE, M. G. Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

PIRES, J. HERCULANO. Introdução à filosofia espírita. São Paulo: Paidéia, 2005.