Respostas de Cosme Massi em Vancouver, Canadá

Respostas de Cosme Massi em PDF

 

Respostas de Cosme Massi em Vancouver, Canadá

     Transcrevemos as respostas do professor Cosme Massi feitas ao final de sua palestra que ocorrera no Canadá, em dezembro de 2016. São quatro questões que aprofundam um pouco mais sobre os problemas da Continuar lendo

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Da impossibilidade ética do “bem-estar” segundo uma norma relativa

A eticidade – aquilo que confere valor ético – advém, tem fonte, se origina, promana de qual instância existencial? Sua origem é puramente subjetiva, histórica, circunscrita a peculiaridade de uma infinidade de indivíduos, de mentalidades? Continuar lendo

Opinião e Conhecimento

Uma vida sem investigação não merece ser vivida.” – Platão

                                                                      

Qual o valor da opinião? Tem ela alguma real legitimidade no processo de compreensão paulatina da realidade? Todas as conquistas efetivas da civilização, das Continuar lendo

O Trabalho na Contemporaneidade

 

Esta época é de aviltamento e vulgarização das coisas mais importantes e que conferem dignidade à existência humana.

Assim, o trabalho foi encerrado em uma monotonia perversa, motivado por fins ridículos, e essa é talvez a pior das desgraças sociais.

Sim, a pior e mais horrenda, pois a vida é o processo de desenvolvimento do princípio espiritual que fundamenta todo o real, e a única condição do progresso efetivo dos poderes anímicos é justamente o trabalho.

Todavia, o trabalho se afasta cada vez mais do seu sentido ontológico e se reduz aos valores econômicos. A atividade humana se limita a uma agitação em que as forças se dissipam e a matéria domina. Não há estratagema mais perverso, abismo mais obscuro, do que tornar o trabalho, que é a condição do progresso, em elemento domesticador e alienante do Espírito.

Definitivamente, o trabalho precisa se tornar o espaço de contínua realização da liberdade humana. Não mera atividade desgastante em torno da máquina econômica, e sim constante mobilização dos recursos espirituais e seus infindáveis aperfeiçoamentos.

O trabalho precisa de redenção: libertar-se da frenesi econômica que apenas estiola as mais belas forças da alma. Entendido dessa maneira, ele é essencialmente atividade de educação, de enobrecimento do ser, e não mera loucura por remuneração e… pronto!

A nós outros, que sentimos o profundo descaso que o Espírito sofre nas ocupações humanas, que carregamos no peito aquela angústia da educação frustrada, devemos converter toda a tristeza que irrompe no coração em impulso de serena rebelião aos mais arraigados condicionamentos. Mesmo soterrados na monotonia e rotina sufocantes, temos diante de nós o dever inconfundível de trabalhar pelos Valores do Espírito, mesmo que tudo em nós aponte para outra direção.

O trabalho há de ser respeitado como fonte segura da emancipação do Espírito, mesmo que para isso se exija oceanos de lágrimas, inúmeros dias de cansaço, desânimos vários a nos atormentar, enfim, todas as forças da inércia espiritual.

Ai! Senhor Jesus! Luta, bom combate, a isso nos conduz. – Experiência Paulina.

Laços de Família e Reducionismo Histórico

774. Há pessoas que deduzem, do abandono das crias pelos animais, que os laços de família entre os homens não são mais que o resultado de costumes sociais e não uma lei natural. Que devemos pensar disso?

    • O homem tem outro destino que não o dos animais; por que, pois, querer sempre identificá-los? Para ele, há outra coisa além das necessidades físicas; há a necessidade do progresso. Os liames sociais são necessários ao progresso e os laços de família resumem os liames sociais: eis porque eles constituem uma lei natural. Deus quis que os homens, assim, aprendessem a amar-se como irmãos.

 (O Livro dos Espíritos – Cap. VII Lei de sociedade; III Laços de família)

Essa pergunta é extremamente importante e seus pressupostos também se encontram na base das ideias contemporâneas. A forma com que Kardec elaborou é extremamente lúcida e penetrante.

Um dos princípios norteadores das ideias contemporâneas é o seguinte: que a sociedade humana se desenvolveu de forma a se impor contra a natureza. Nisso há “meia verdade”.

Esse princípio serve para destituir os sentimentos morais de legitimidade natural. Sentimentos morais são meros costumes, portanto, invenções humanas, de importância relativa e que podem ser tranquilamente substituídos ou até aniquilados, segundo a finalidade que melhor reunir as aspirações de uma época.

O homem inventa formas de sentir e de se relacionar muitas vezes contrária a natureza, e com isso acaba impondo pesados compromissos, tais como a maternidade e paternidade estendidas por toda a vida, e não apenas num período como os animais.

É assim que vão minando os elevados deveres morais, que brotam da estrutura ôntica do ser. Denunciam uma origem mesquinha ou arbitraria e contingente, e, se não é necessária, pode ser ignorada, esquecida.

As ideias contemporâneas se caracterizam pela hegemonia do paradigma histórico-antropológico, em detrimento de princípios a priori inerentes a manifestação do ser e que se conjugam aos elementos contingentes oriundos da experiência. Tudo é história, costumes, relações de poder, domesticação do homem. É história desprovida de sentido ou a história dos vários sentidos que em última instância são inconsistentes, por que são invenções puramente humanas. Todavia, ao contrário do que se pensa, a família é condição necessária para a manifestação do ser, que é em si mesmo, mas que só pode aflorar as suas potencialidades na vida de relação, donde a relação no tempo não se constitui como mera união de elementos contingentes que possibilitam o advento do ser e de valores temporários, pelo contrário, a relação no tempo é a condição de possibilidade, a atmosfera indispensável em que o ser realiza a si mesmo no contato com o todo. Assim, o devir não aniquila o ser e nem os valores; realiza o ser, atualizando suas potencialidades e aprimora a vivência dos valores morais que constituem a consciência.

O Filosofia Espírita é dialética: não aniquila os opostos. Compreende a realidade na síntese dos contrários.

Kardec, com sua fina e penetrante lucidez, abarca em uma única pergunta o emaranhado de ideias de nossa contemporaneidade.

O Espírito de Verdade, em sua resposta, já antecipa a razão dos esforços de nossos intelectuais: identificar os homens com os animais.

Se o homem ignora sua finalidade (destino) na natureza, então fica mais abaixo do que o animal, porque este comumente se mantém na esfera da necessidade, ao passo que o homem se reveste de infindáveis caprichos.

O destino do homem é o amor e só a vida moral realizada em plenitude pode levar o homem a realização de seu supremo destino. Alias, por não ter tomado consciência de seu destino é que se tornou o algoz pertinaz da natureza, porque desconsiderando a si mesmo, desconsidera o todo.

Parte das forças intelectuais atuantes no mundo se esforçam para que o homem não se eleve a altura de seu fulgurante destino.

Denunciam a moral, banalizam todos os valores e encarceram o homem nas grades ferrenhas de inúmeras paixões.

Sem liberdade, sem bom senso, sem humildade, sufocam as energias espirituais que querem ser realizadas no mundo. Atacam a base da sociedade – a família – que, sem saúde e equilíbrio espiritual necessários, contribuí para a perdição de muitos espíritos encarnantes e ainda vacilantes, incapazes de resistir as influências nocivas que lhes assediam desde o berço.