A máxima expressão da moralidade da consciência

A máxima expressão da moralidade da consciência em PDF

Por que o amor é o maior mandamento?

 

Na filosofia espírita, a especificidade da natureza humana, em face da totalidade da criação, está na consciência. É a consciência que é considerada como o atributo principal do Espírito e que distingue o homem no seio da natureza. Mas esta Continuar lendo

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O amor e suas raízes biológicas

890- O amor maternal é uma virtude ou um sentimento instintivo, comum aos homens e aos animais?

      • É uma coisa e outra. A Natureza deu à mãe o amor pelos filhos, no interesse de sua conservação; mas no animal esse amor é limitado às necessidades materiais: cessa quando os cuidados se tornam inúteis. No homem ele persiste por toda a vida e comporta um devotamento e uma abnegação que constituem virtudes; sobrevive mesmo à própria morte, acompanhando o filho além da tumba. Vedes que há nele alguma coisa mais do que no animal.

                                      (O Livro dos Espíritos, Cap. XI, tema IV, Amor Maternal e Filial)

O amor maternal decorre do instinto de conservação estendido aos filhos. Para a mãe, os filhos são uma espécie de extensão de si mesma, saídos de suas próprias entranhas. Nesse sentido, o amor não se constitui como virtude, pois é antes impulso instintivo oriundo da natureza, isto é, efeito de suas leis. A esse impulso a mãe obedece de forma mais ou menos mecânica. O Espiritismo, fundado no real, sustenta esse princípio, mas de forma alguma reduz o amor a simples impulso natural e instintivo. Compreende que há esse aspecto na manifestação do amor nos reinos da natureza, cujo o fundamento é a lei de conservação. Desse modo compreende o aspecto material do amor, que tem por finalidade a conservação do ser animal que se manifesta na natureza.

Todavia, no tocante ao homem, os limites que são impostos pela natureza à manifestação do amor são facilmente transpostos na continuidade de suas relações. Quando os cuidados já não são mais necessários, porque os filhos alcançaram o amadurecimento psicobiológico e já podem conservar a si mesmos nem por isso os laços afetivos são rompidos, deduzindo-se daí que há outras determinações nas uniões afetivas que não se restringem unicamente aos imperativos da natureza e ainda mais quando se verifica na experiência inumeráveis exemplos de devotamento por toda uma vida, a despeito da independência biológica dos filhos.

Como tudo caminha em constante progresso em a natureza, é fácil conceber que do amor material e das uniões puramente instintivas o homem se eleva para o amor espiritual e a purificação dos laços afetivos. Com o Espiritismo compreendemos a dinâmica dos sentimentos a partir do desenvolvimento dos instintos; tudo está no plano do natural, do real, que encerra em si mesmo o espiritual.

De um ponto de vista também da negação, prova de que o amor não é tão somente uma determinação instintiva são as antipatias inatas que se sobrepõem consideravelmente aos impulsos da natureza. Assim, a afetividade demonstra efeitos que não são determinados por causas materiais, mas que estão no Espírito, nas suas ideias e na peculiaridade do seu gosto.

O instinto maternal é uma lei instituída por Deus e que age sobre todos os seres animados; sendo lei natural concorre para o Bem. A mãe que se mostra contrária a esse impulso benéfico e por vezes se torna um verdadeiro obstáculo ao seu filho, indica a natureza inferior do seu Espírito encarnado, de tal modo que não se harmoniza com os ditames da lei divina. Vemos nisso também a independência da afetividade que se afina ou não com determinadas influências.

Assim, o Espiritismo não se fecha nem no sistema naturalista ou vitalista, de cunho puramente freudiano, nem no sistema idealista e espiritualista. Concilia as posições teóricas, sustentando que nada dá saltos em a natureza, de modo que dos meros impulsos instintivos há um processo de desenvolvimento dos sentimentos, que fundamentam a afetividade humana.