O paradoxo da aflição

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 O paradoxo da aflição

Bem-aventurados os aflitos

 

 

“Sede como o militar, e não aspireis a um repouso que enfraqueceria o vosso corpo e entorpeceria a vossa alma.”  – Lacordaire

Introdução

     Deus existe e, entretanto, o “infortúnio é múltiplo; a infelicidade sobre a Continuar lendo

A arte da escrita

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      A arte da escrita, no que toca à vivência de uma inocência primordial e um exercício de transcendência,  deve ser sempre praticada e considerada sob à luz da inspiração agostiniana. Pois não é só escrever qualquer coisa ou também Continuar lendo

Da união com o Absoluto

Considerações acerca da resposta de Paulo, o Apóstolo, à pergunta 1009 de O Livro dos Espíritos

“Gravitar para a unidade divina, esse é o objetivo da Humanidade.” – Paulo, o Apóstolo.

O supremo objetivo da humanidade é realizar a união com o Absoluto, assim esclarece o inesquecível apóstolo Paulo em sua mensagem. Como seria de fato tal união ainda não podemos compreender integralmente, uma vez que não vivemo-la, apenas sabemos que não é a desintegração da consciência do eu no seio do divino, pois isso equivaleria ao aniquilamento da individualidade e, assim, para nós, seres relativos, é o mesmo que o mergulho no nada, no reino do inconsciente. Ademais, o guia e modelo da humanidade, Jesus Cristo, também demonstra em caracteres concretos os indícios para a compreensão da natureza de tão grandiosa união: ele, Jesus, encarnado na terra já se encontrava unido ao Pai, como assinalou e demonstrou em toda a sua vida missionária e, no entanto, sua individualidade foi conservada, era uma personalidade, acima de tudo era um eu indestrutível que permanecia, mesmo realizado o supremo objetivo a que toda a humanidade se destina: a união com o Absoluto.

Sendo Jesus na terra a representação daquela união a que todos os seres conscientes do universo se destinam, cabe, então, para uma investigação rigorosa, uma monótona e persistente observação de sua significativa passagem pelo mundo, observar quanto ao seu modo de vida, a qualidade de suas relações, os valores que fundamentaram toda a sua vida, a forma como enfrentou o ridículo, o sofrimento, o perigo, o martírio e tudo o mais que estremece o coração mais robustecido. Ora, mesmo num exame superficial, verificamos que Jesus não fora um místico, portador de práticas estranhas, de disciplinas severas ou fundador de algum novo ascetismo. Mesmo assim, conclamou os homens para a união com Deus, e ainda asseverou que ninguém chegaria ao Pai se não fosse por ele. Que caminho, então, ensinou Jesus e continua ensinando para a união com o Pai? Sua vida e sua doutrina demonstram: o caminho moral – que é a vivência dos valores eternos, das virtudes do Espírito, sendo o Amor o resumo, a síntese de todas; com efeito, quem vive o amor pratica todas as virtudes, e assim se inicia na inconcebível, para nós, união com o Pai. 

“Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros. Assim como eu vos tenho amado vós deveis também amar uns aos outros. É pelo fato de vos amardes uns aos outros que todos conhecerão que sois meus discípulos”. – João 13:34, 35

 

Referência: 

Questão 1009 de O Livro dos Espíritos – VII Duração das Penas Futuras.

Parmênides – Os atributos do Ser

Objetivo: Compreender o conceito de “Ser” e relacioná-lo com o ser segundo o ponto de vista da Filosofia Espírita (Deus, espírito, Espírito).

1- Por que, segundo Parmênides, a via dos sentidos não nos permite conhecer o ser?

Porque o sentidos só apreendem a mudança, o constante vir-a-ser do mundo. O que o homem conhece pelos sentidos é a multiplicidade, a mobilidade, a mutabilidade de todas as coisas.

Parmênides percebe que não pode se basear na transitoriedade ou em qualquer aparência para proferir juízos acerca do ser. Isso porque descobre dois princípios fundamentais do pensamento que servem como critério para entender o ser e elaborar o seu conceito: o princípio de identidade e o princípio da não contradição. É a partir dessa descoberta que também se inicia mais propriamente a ontologia – o estudo do ser enquanto ser, o exame da sua realidade a partir das leis do pensamento.

O princípio de identidade diz: o ser é o ser, idêntico a si mesmo, porque aquilo que é, simplesmente é, de modo que a geração e corrupção do ser é ilusão. Assim, Parmênides investiga o ser por meio das exigências elementares do que no futuro se chamará lógica, isto é, das leis do pensamento.

O princípio da não contradição diz: que algo não pode ser e ser também o seu contrário – o ser é o não-ser não é.

E esse conhecimento só pode ser adquirido pela via da razão, apartando-se da ilusão dos sentidos que fazem tomar o ser pelo não-ser. Então, conhecer o ser é ao mesmo tempo desvelar as leis imanentes da razão (logos) e saber conduzir o pensamento sob essa luz para apreender a verdade do ser.

Da proposição “o ser é o não-ser não é”, decorre seus atributos deduzidos de forma rigorosa:

    • aquilo que é não pode vir-a-ser, porque então não seria, e se não é e passasse a ser, viria do nada. Ora, o nada não pode fazer com que algo seja. Portanto não tem começo.

    • E aquilo que é também não pode deixar de ser, porque então passaria a não-ser e o não-ser não é. Portanto, não tem fim.

    • Aquilo que é, mas não tem começo e nem fim, não está no tempo. Portanto, é eterno.

    • Aquilo que não está no tempo também não está no espaço, desse modo não sofre mudança, logo, é imutável, e se é imutável é também imaterial.

2- O que é o ser, ou o Ser, do ponto de vista da Filosofia Espírita?

Na Filosofia Espírita o Ser é Deus, que também comporta os atributos parmenídicos e o da justiça e bondade, respeitando os critérios que a própria razão (logos) impõem no atual estágio de seu desenvolvimento. Portanto, na Filosofia Espírita só podemos conceber Deus, sem cair em contradições ou se aprisionar em ilusões da aparência e dos dogmas, pela via da razão. É por isso que a fé não pode se apartar da razão, pois é somente nela que encontra o entendimento correto do Ser e o coração pode se devotar a uma adoração esclarecida.

Também, na Filosofia Espírita, encontramos o conceito de ser, que é o princípio inteligente do universo, princípio ordenador que anima e organiza toda a matéria do universo, sendo mesmo a essência de todos os fenômenos, pois sem o princípio inteligente nada no campo das formas pode ser ou vir-a-ser. O princípio inteligente individualizado constitui o Espírito, centelha consciente do universo e a essência do ser humano, sem a qual também não seria.

3- Jesus nos ensina os valores espirituais. Por que? Explique racionalmente.

Os ensinos de Jesus conduzem a religião pra uma efetiva espiritualização dos meios de se relacionar com o Absoluto e de harmonizar o homem com as leis universais.

Jesus apresenta o que é essencial e universal na religião, despojando-a das conveniências e interesses mundanos, fazendo valer apenas os valores espirituais. Esses valores se fundamentam na realidade essencial do homem: o Espírito.

Assim, a religião deve oferecer um efetivo espaço de realização da essência humana, pela dignidade dos valores que consagra aos homens.

Ensinar os valores espirituais, então, significa demonstrar o caminho pelo qual o homem manifesta o seu ser divino; que a verdade é a do Espírito e que a vida é fundamentalmente espiritual.

Na perspectiva da investigação de Parmênides, vemos que ele pensa o ser com seus atributos necessários e Jesus, por sua vez, busca orientar os homens para que se ajustem à realidade perene do Ser e deixem de errar indefinidamente no não-ser, na ilusão, na aparência, na matéria, nas conveniências, nos interesses transitórios e mundanos.

Assim, a religião não consiste nas práticas exteriores e sim na vivência dos valores espirituais que se encontram na sublime moral evangélica, valores que estão estritamente ligados a realidade fundamental do homem, a saber, o seu ser espiritual.

4- Podemos de algum modo associar os atributos do ser para Parmênides com os atributos do ser para a Filosofia Espírita?

Os atributos do ser para Parmênides são deduzidos por um exame rigoroso da razão (logos). A Filosofia Espírita concorda com esses atributos, uma vez que a razão levará qualquer um a deduzir esses atributos a partir do princípio de identidade e o princípio da não contradição. Portanto, é uma concepção de Deus universal, sem elementos obscurantistas ou dogmáticos.

Todavia, a Filosofia Espírita não sustenta que esses são os atributos definitivos e únicos do Absoluto, porque a capacidade de conhecimento e abstração estão sempre condicionados pelo grau de evolução do sujeito cognoscente. Desse modo, quanto ao Ser, não podemos dizer algo em definitivo, uma vez que a razão e os meios de conhecimento, ou antes a totalidade do Espírito, estão em constante desenvolvimento.

 Bibliografia

IEEF. Princípios da filosofia espírita. São Paulo: IEEF, 2012.

KARDEC, ALLAN . O livro dos Espíritos. São Paulo: Lake, 2010.

KARDEC, ALLAN. A Gênese. São Paulo: Lake, 1999.

MORENTE, M. G. Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

PIRES, J. HERCULANO. Introdução à filosofia espírita. São Paulo: Paidéia, 2005.