Há muitas moradas na casa de meu Pai

Há muitas moradas na casa de meu Pai em PDF

Ou a transcendência realizada no Cosmos 

Introdução

     Quando nos ocupamos rapidamente com o processo histórico do conhecimento científico, os manuais que tratam de tal temática insistem invariavelmente numa importante revolução científica, isto é, a denominada revolução copernicana. Com efeito, Copérnico contribuiu para a derrocada da concepção da Terra como o centro do universo, instituindo o heliocentrismo; paralelo a isto, e sob a orientação da matemática aplicada nas ciências, a noção de “mundo fechado” transita para a concepção de um “universo infinito”. Com isto, a percepção que o homem tem de si se transforma drasticamente, pois ele se assemelha como um ponto ínfimo em meio a uma realidade cósmica infinita, ou ao menos tão extensa que beira ao infinito.

     Contudo, se nos determos no ensino de Jesus referente ao “lugar” que o homem pode habitar depois de sua passagem pele Terra, veremos que ele propõe, claro que não em termos científicos, que a Terra não é o único mundo habitado e que, havendo um “lugar” melhor, ela não é também o centro do universo. A fim de analisar essa temática, Kardec se aprofunda no ensino que diz: “Há muitas moradas na casa de meu Pai.”

     A partir desse ensino de Jesus, hoje se torna mais favorável realizar um desenvolvimento em termos cosmológicos desta proposição inicial, porque a noção de infinito aplicada à astronomia, bem como um conhecimento mais exato da mecânica celeste e a constatação irrefutável de miríades de mundos que povoam o espaço, tudo isso, enfim, capacita a mente humana a analisar em profundidade este ensino aparentemente enigmático – “Há muitas moradas na casa de meu Pai.”

1- A Ciência Espírita e o paradigma moral para investigar a interação do Espírito com o  mundo corpóreo 

     Os conhecimentos estabelecidos pela astronomia moderna, já relativamente desenvolvida na época de Kardec, apresentam um esforço de construir uma compreensão natural e racional do universo, dos corpos celestes e da sua organização; naturalmente que esta compreensão avança paulatinamente, entre equívocos, limitações típicas de cada época e ideias incipientes. Dentro daquilo que já se mostrava positivo, e isto quer dizer apenas o que já era generalizado e aceito pela comunidade científica da época, Kardec vê, no quadro cosmológico que se esboça, uma contribuição indireta para se entender a realidade do Espírito, com a qual a ciência espírita se ocupa.

   É desse modo que Kardec mais uma vez demonstra como conhecimento científico já devidamente estabelecido pode auxiliar a religião, e mais particularmente, como pode auxiliar na compreensão dos elementos centrais da doutrina cristã, porque certos fundamentos da cosmologia moderna auxiliam a preparar um espaço de interpretação natural do ensino espiritual, de modo que não haja contradição, isolamento ou incompatibilidade entre o avanço do conhecimento científico e as proposições contidas no ensino espiritual de Jesus.

     Isto não significa que a ciência está “comprovando” o ensino de Jesus; reiteramos: ela auxilia na preparação de um espaço de interpretação natural da condição do Espírito, da sua relação com a natureza e com o universo. O Espírito não se reduz à matéria, como um epifenômeno desta, mas está a ela integrado, no seu processo de desenvolvimento e manifestação. Portanto, o conhecimento que se elabora em torno da matéria em seus diferentes estados, enriquece a inteligência humana, amplia o horizonte do pensamento, e o torna mais capaz de entender igualmente a realidade complexa do Espírito imanente à dinâmica universal, posto que com a matéria ele interage incessantemente.

     Com efeito, o campo de pesquisa do Espiritismo tem a sua especificidade e, sobretudo, a sua novidade, pois ele não é definitivamente uma variação das ciências que se ocupam com a matéria. Seu objeto é o Espírito e o estudo da sua relação com o mundo corpóreo. Dada a qualidade moral do seu objeto, pois o Espírito não é uma força mecânica, uma lei, um impulso inconsciente da natureza, então o estudo da interação como o mundo corpóreo é realizado sob um outro paradigma: Kardec busca entender a relação com o mundo corpóreo no seu significado moral.

     A interação com a matéria pode ser estudada em diferentes níveis; no que concerne a este estudo determinado, esta interação é estudada no âmbito da reciprocidade entre as variadas condições do meio material com o estágio evolutivo do Espírito que de alguma forma se abriga neste meio temporariamente. Ora, a constatação do Espírito como imanente à dinâmica da natureza gera inúmeras perguntas, que coordenadas logicamente entre si, formam os muitos temas da doutrina; assim, podemos identificar algumas perguntas elementares que se impõem ao se tentar compreender o Espírito dentro do panorama cosmológico apresentado pela ciência moderna, quais sejam:

  •      Uma vez que o Espírito sofre o fenômeno da encarnação, e esta só pode se dar em um mundo material, encarna o Espírito apenas na Terra ou também em outros mundos?
  • Sabemos, por meio das investigações da ciência moderna que se ocupa com os diferentes estados da matéria, que as condições favoráveis para o surgimento da vida na Terra somente se consolidaram após milhões de anos e, que o aparecimento do homem na Terra é um dos eventos biológicos mais recentes, em face das primitivas e longínquas manifestações da matéria orgânica no globo. Portanto, os Espíritos que aqui encarnam, já sendo portadores de uma inteligência relativamente enriquecida, inclusive na dita antiguidade, não poderiam pois ter conquistado este patrimônio intelectual apenas com as encarnações terrenas – na própria antiguidade há imensas lacunas culturais, por exemplo, em certas regiões, agrupamentos humanos francamente selvagens, que se desenvolvem muito lentamente, enquanto em outras regiões, na mesma época, povos construtores de civilizações monumentais, de avançado desenvolvimento intelectual. Este desenvolvimento intelectual não fora alcançado em sucessivas encarnações em outros mundos?
  • Se há migrações planetárias, as condições materiais dos diferentes mundos em que ocorre o fenômeno da encarnação teriam alguma espécie de relação mais ou menos direta com o estágio evolutivo ou com as necessidades existenciais dos Espíritos que neles encarnam?
  • Essas variadas condições materiais dos mundos que povoam o Espaço podem ser abordadas também dentro de uma escala evolutiva segundo critérios morais?

     Essas perguntas, e outras tantas derivadas, estão como que implicadas no desenvolvimento da investigação kardeciana. Vemos que elas decorrem logicamente da constatação da existência do Espírito submetido à lei das vidas sucessivas (reencarnação) e, esta lei, por sua vez, sendo compreendida dentro do panorama cosmológico descortinado pela ciência moderna. Por isso, não é a ciência propriamente dita comprovando qualquer tese espírita, mas tão somente determinando um espaço de interpretação natural onde a constatação espírita pode ser desenvolvida e, a partir desse desenvolvimento que fomenta a teoria espírita, as proposições do ensino de Jesus são igualmente compreendidas, porque são decifradas ou perfeitamente relacionadas com o programa de pesquisa da Ciência Espírita, ou ainda porque o que Jesus disse em termos proposicionais, a Ciência Espírita agora diz em termos experimentais, indutivos, dedutivos e dialéticos.

2- A existência do Espírito de um ponto de vista cosmológico 

     Kardec observa, em vários de seus escritos, que “ali onde a ciência pára o Espiritismo avança”, algo muito natural, porque ela se ocupa com a matéria e é onde alcança um crescente sucesso. O Espiritismo, constatando a imanência do princípio espiritual, embora absolutamente distinto da matéria, e, portanto, não se confundindo com ela, então desvela a outra face do real, não propriamente uma outra realidade, pois toda a criação está baseada na interação dessas duas potências. Desse modo, Kardec também busca entender o Espírito, enquanto unidade consciente ou individuação do princípio inteligente, de um ponto de vista cosmológico, isto é, na relação com o universo tal como o é compreendido em sua época. A pergunta implícita nessa pesquisa pode ser esboçada assim: Qual a relação moral do Espírito com este universo material que é descortinado lentamente pela ciência moderna?

     Novamente enfatizamos que, na perspectiva da teoria espírita, esta relação com o universo material é entendida absolutamente em termos morais, porque é assim que a natureza do objeto de estudo determina. Desse modo, Kardec compreende que há uma relação moral íntima entre a condição evolutiva do Espírito com a condição material do mundo em que ele encarna. No processo da pesquisa espírita há uma inversão sutil: busca-se entender a organização da vida material a partir da realidade espiritual, e como esta é uma realidade moral por excelência, então a vida material é abordada em categorias éticas que correspondam às necessidades existenciais do Espírito que com ela interage. É em virtude dessa inversão essencial que Kardec, a fim de entender a existência do Espírito de um ponto de vista cosmológico, estabelece, junto com os Espíritos superiores, uma classificação moral dos mundos em que os Espíritos encarnam.

     Esta classificação moral dos mundos é metodicamente coerente com o desenvolvimento teórico da pesquisa, pois antes, Kardec formulou uma tipologia da população espiritual – que é a indispensável escala espírita. Ora, uma vez delineada as diferentes ordens e classes de Espíritos que compõem a população espiritual, se faz necessário então que se investigue a que tipos de mundos essas diferentes classes de Espíritos são designadas para o processo da encarnação; por isso surge a tipologia moral dos mundos como uma derivação necessária da tipologia espiritual. Por tipologia entendemos apenas a classificação moral dos tipos (indivíduos espirituais) e das características morais (dos mundos habitados), não se aproximando pois do uso corriqueiro da palavra – tipologia.

     A classificação, baseada nos “aspectos mais destacados”, estabelece cinco categorias de mundos habitados pelos Espíritos: mundos primitivos; mundos de expiação e de provas; mundos regeneradores; mundos felizes; mundos celestes ou divinos. Naturalmente que as variações são praticamente infinitas entre uma categoria e outra; o relevante é destacar as características mais acentuadas que permitam identificar dentro de um gênero moral as miríades de mundos.

     Relacionando este conhecimento com o ensino de Jesus sobre as “muitas morada na casa de meu Pai”, verifica-se que a pesquisa Espírita contribui significativamente para se apreender o sentido real deste ensino, pois evidencia certas intersecções entre a concepção moderna do universo com a constatação da existência do Espírito submetido à lei das vidas sucessivas. Fica muito claro, pois, que as “muitas moradas” são as miríades de mundos que povoam o espaço, que neles os Espíritos encarnam, ao menos em grande parte ou em algum período da vida extensa dos corpos celestes, e que as condições materiais também se relacionam com o estágio evolutivo dos Espíritos.

3- Características gerais da vida encarnada nos mundos inferiores e superiores 

     Os mundos inferiores são: mundos primitivos, de expiação e provas e os regeneradores, sendo que neles encarnam necessariamente os Espíritos da terceira ordem, que é formada por cinco classes. Os mundos superiores são: os mundos felizes e os celestes ou divinos, onde encarnam necessariamente os Espíritos da segunda ordem, formada por quatro classes. Os Espíritos da primeira ordem, formada de uma única classe, são os Espíritos puros, eles já não mais possuem a necessidade da encarnação para evoluir, portanto, também não são mais Espíritos errantes, isto é, aqueles que transitam por necessidade entre o mundo espiritual e os mundos materiais.

     Em suas observações, Kardec deduz que toda a criação está submetida ao princípio metafísico da unidade, que denomina a “lei da unidade” (ver A Gênese), isto é, a totalidade das coisas que são, tanto no universo material como no mundo espiritual, estão compreendidas na mesma finalidade última. Por exemplo, no caso da lei do progresso, esta não é concernente apenas aos seres conscientes do universo, pois o princípio da unidade determina que ela ordene toda a criação, incluindo a matéria inorgânica, que é uma das manifestações mais rudimentares. O Espírito Santo Agostinho assim ressalta:

                   “O progresso é uma das leis da Natureza. Todos os seres da Criação, animados e inanimados, estão submetidos a ela, pela bondade de Deus, que deseja que tudo se engrandeça e prospere.”

     Então, o princípio metafísico da unidade determina a unidade do progresso, que quer dizer que, toda a criação tem a possibilidade de transcender a si mesma, e não apenas o homem ou o Espírito; se assim fosse, haveria distinção, diferença, e não unidade, e portanto, privilégio. A especificidade do progresso no âmbito humano, é que este é realizado sobretudo pela própria atividade humana dirigida por uma crescente vontade e consciência, de modo que o esforço deliberado, e determinado por finalidades conjecturadas, atribui um valor moral à atividade, isto é, o mérito. Assim, o livre-arbítrio é a condição do mérito do progresso realizado pela atividade humana.

     Para além do livre-arbítrio, onde prepondera a determinação extrínseca no acontecer cósmico, toda a atividade está sob a lei do progresso, embora não se possa atribuir propriamente o mérito da realização progressiva. Quanto a isso, o Espírito Santo Agostinho afirma:

                            “Ao mesmo tempo que os seres vivos progridem moralmente, os mundos que eles habitam progridem materialmente.”

     Quando ele indica os “seres vivos”, parece considerar a totalidade da manifestação da vida em todos os seus reinos, pois “seres vivos” é a classificação mais geral concernente à matéria orgânica – e progresso moral é relativo ao princípio anímico, pois matéria não progride moralmente. Desse modo, o princípio anímico presente na mais elementar manifestação de matéria orgânica progride sob força do determinismo, até alcançar a individuação, onde se inicia, muito lentamente, a autodeterminação ou livre-arbítrio.

     Por outro lado, as “formas de habitação”, ou mundos materiais progridem no âmbito da materialidade – do grosseiro, compacto, por vezes caótico, ao sutil, tênue, irradiante, flexível.

     O princípio anímico individuado (Espírito, ser consciente do universo) quando encarnado em um dos mundos materiais, sofre o choque das injunções da matéria animalizada, que o vincula à experiência e às exigências da vida biológica, mas como os mundos materiais também progridem, alcançando expressões mais sutis da vida sensível, então o Espírito já mais ou menos purificado encontra, nos mundos que povoam o espaço cósmico, habitações materiais que são condizentes com as condições evolutivas em que se apresenta; e isto, graças ao princípio da unidade que determina que a lei do progresso abarque toda a criação, e não alguns se seus elementos.

     Por isso, as condições da vida encarnada nos mundos inferiores denotam sobretudo a preponderância das influências da matéria sobre o Espírito, sobre a consciência de vigília; a matéria é resistente a ação do Espírito, o pensamento só com muito ardor e trabalho aos poucos se desta e se ocupa de si mesmo; a atenção é quase toda voltada para a manutenção da vida biológica, de maneira que a cultura só muito lentamente vai alcançando estágios mais elaborados onde a capacidade criativa do Espírito se acentua e assim amplia progressivamente a liberdade que é possível ser vivida numa vida encarnada – liberdade no sentido do Espírito manifestar a sua essência mesmo no choque com a matéria animalizada.

     Por outro lado, as condições da vida encarnada nos mundos superiores apresentam um quadro onde o Espírito demonstra mais vivamente um domínio, primeiro de si, e consequentemente, da matéria. Neste ponto, a investigação kardeciana oferece elementos concretos para a reflexão acerca da condição humana: o animal e o divino compõem o drama da existência humana. Com o aspecto animal e finito da existência humana já nos debatemos e o deflagramos constantemente – é uma experiência imediata e constituinte dos Espíritos da terceira ordem encarnados em mundos inferiores. Mas Kardec também ressalta em termos concretos o outro aspecto da existência humana – o divino. Embora o homem seja condicionado pela finitude, no sentido de não possuir o ser por si mesmo, entretanto ele pode participar da infinitude do ser na medida em que manifesta plenamente as exigências da consciência como uma realização ética no mundo, então o animal dá lugar ao divino, e o esplendor do Espírito é um reflexo finito da infinitude do ser no seio da criação.

     Esta vida encarnada, que muito bem a conhecemos, e que muitos filósofos buscam ressaltar a sua tragicidade, a sua finitude; esta vida que oferece muitos entraves para a atividade criativa, para a expressão do pensamento e do sentimento, para uma percepção mais nítida da realidade; esta vida que vincula a criatura aos imperativos da sobrevivência, à manutenção incessante do corpo e que sempre está acompanhada pela morte, pela dor, pela doença, pelas privações e pelas carências várias; enfim, esta vida encarnada é também drasticamente transformada pela atividade deste mesmo princípio anímico individuado, que é a sede da inteligência e da consciência.

     Desse modo, Allan Kardec também apresenta a realização da transcendência da existência na carne, na matéria animalizada – apresenta como um possível e como uma realidade, pelo fato dessa transcendência se realizar continuamente nos mundos superiores.

     Assim, a influência da matéria sobre a consciência é consideravelmente menor, mais fraca e mais flexível, de maneira que o estado de vigília pode ser entendido como uma integração quase que total entre o eu empírico e a totalidade da consciência – a experiência de uma consciência integral e emancipada, de uma unidade, é a base imediata de uma vivência espiritual que se desenvolve contínua e progressivamente nestes mundos. A percepção extra-sensorial como uma forma comum de captação do real é outra conquista do Espírito que não mais se submete à carne, mas purifica o corpo, purificando o Espírito. E, denota Kardec que:

                               “A pouca resistência que a matéria oferece aos Espíritos já bastante adiantados, facilita o desenvolvimento dos corpos e abrevia ou quase anula o período de infância. A vida, isenta de cuidados e angústias, é proporcionalmente muito mais longa que a da Terra. Em princípio, a longevidade é proporcional ao grau de adiantamento dos mundos. A morte não tem nenhum dos horrores da decomposição, e longe de ser motivo de pavor, é considerada como uma transformação feliz, pois não existem dúvidas quanto ao futuro. Durante a vida, não estando à alma encerrada numa matéria compacta, irradia e goza de uma lucidez que a deixa num estado quase permanente de emancipação, permitindo a livre transmissão do pensamento.”

Conclusão

      Portanto, é muito razoável concluir com Kardec que, embora a finitude faça parte da condição humana – que o homem não tem o ser por si mesmo -, entretanto esta mesma condição humana traz em si o possível da transcendência, e este possível sendo realizado no progresso humano suplanta até mesmo aquilo que é considerado pelas filosofias nihilistas como o trágico. Pois a transcendência realizada é a transfiguração do homem no seio da criação; é o brilho divino que faz resplandecer a existência humana no contacto mesmo com a matéria; é o reflexo finito da infinitude.

Referência:

Há muitas moradas na casa de meu Pai, Cap. III. Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, Tradução Herculano Pires.

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