Da união com o Absoluto

Considerações acerca da resposta de Paulo, o Apóstolo, à pergunta 1009 de O Livro dos Espíritos

“Gravitar para a unidade divina, esse é o objetivo da Humanidade.” – Paulo, o Apóstolo.

O supremo objetivo da humanidade é realizar a união com o Absoluto, assim esclarece o inesquecível apóstolo Paulo em sua mensagem. Como seria de fato tal união ainda não podemos compreender integralmente, uma vez que não vivemo-la, apenas sabemos que não é a desintegração da consciência do eu no seio do divino, pois isso equivaleria ao aniquilamento da individualidade e, assim, para nós, seres relativos, é o mesmo que o mergulho no nada, no reino do inconsciente. Ademais, o guia e modelo da humanidade, Jesus Cristo, também demonstra em caracteres concretos os indícios para a compreensão da natureza de tão grandiosa união: ele, Jesus, encarnado na terra já se encontrava unido ao Pai, como assinalou e demonstrou em toda a sua vida missionária e, no entanto, sua individualidade foi conservada, era uma personalidade, acima de tudo era um eu indestrutível que permanecia, mesmo realizado o supremo objetivo a que toda a humanidade se destina: a união com o Absoluto.

Sendo Jesus na terra a representação daquela união a que todos os seres conscientes do universo se destinam, cabe, então, para uma investigação rigorosa, uma monótona e persistente observação de sua significativa passagem pelo mundo, observar quanto ao seu modo de vida, a qualidade de suas relações, os valores que fundamentaram toda a sua vida, a forma como enfrentou o ridículo, o sofrimento, o perigo, o martírio e tudo o mais que estremece o coração mais robustecido. Ora, mesmo num exame superficial, verificamos que Jesus não fora um místico, portador de práticas estranhas, de disciplinas severas ou fundador de algum novo ascetismo. Mesmo assim, conclamou os homens para a união com Deus, e ainda asseverou que ninguém chegaria ao Pai se não fosse por ele. Que caminho, então, ensinou Jesus e continua ensinando para a união com o Pai? Sua vida e sua doutrina demonstram: o caminho moral – que é a vivência dos valores eternos, das virtudes do Espírito, sendo o Amor o resumo, a síntese de todas; com efeito, quem vive o amor pratica todas as virtudes, e assim se inicia na inconcebível, para nós, união com o Pai. 

“Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros. Assim como eu vos tenho amado vós deveis também amar uns aos outros. É pelo fato de vos amardes uns aos outros que todos conhecerão que sois meus discípulos”. – João 13:34, 35

 

Referência: 

Questão 1009 de O Livro dos Espíritos – VII Duração das Penas Futuras.

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